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terça-feira, março 04, 2008

Arte? Amor? Talento? / Kula Shaker

Talento? Dedicação? Uma misteriosa combinação de genes que nos dá super poderes? Afinal, porque tem gente que pega num violão e faz maravilhas e outros que soam pra cacete pra conseguir tocar um simples quatro por quatro? Tem gente que nunca nem pensou a respeito, mas é ator, é músico, é poeta, é escritor e é artista. Arte. Que palavrinha mais safada. Arte é minha vida, ou coloca-se arte em tudo que se faz, ou se enterre vivo e espere os vermes devorarem seu corpo. Somos artistas e inibimos isso, temos vergonha disso na maior parte do tempo. Pro inferno a sociedade, vamos viver, artistas como devemos ser e convencidos de que é apenas o processo de algo muito maior, um projeto chamado vida. Minha arte está se encaminhando, seja no palco, na guitarra, na poesia ou na amada. Arte no amor e arte no viver. E olha essa garotinha de dezesseis anos que toca um violão que me deixou boquiaberto.



É a vida. Eu, João Raposa, vou tentando achar arte por aí. Achei arte na estrada, no metrô e no quarto do hotel barato no centro.


Kula Shaker - "Govinda"



Kula Shaker - Shower Your Love




Kula Shaker é uma banda que ficou esquecida na explosão do rock britânico e injustamente diga-se de passagem não teve seus grandes clássicos espalhados pelo mundo como mereciam. Lançaram dois discos na década de 90 e tiveram um retorno quase 10 anos depois com um mediano disco já resenhado neste blog. Porém “K” e “Peasants, Pigs and Astronauts” são duas obras primas. Discos com com canções perfeitas e uma atmosfera mágica. Para os não iniciados fica a dica da coletânea Kollected: Best Of.

Destaques: Govinda, Shower Your Love, Mystical Machine Gun e Light of the Day.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

The Who - Who's Next? (1971)

Esse quarteto inglês é um dos poucos que faz frente aos Beatles, perde talvez por possuir uma carreira muito mais irregular, porém algumas obras primas do Rock saíram da cabeça desses quatro ingleses revoltados. Um guitarrista genioso e compositor de primeira. Um vocalista com excelente alcance, e um feeling perfeito. Um baterista monstro. E um baixista que está entre os melhores do mundo, com um temperamento pra lá de duvidoso.

Com outros álbuns simplesmente fenomenais, incluindo a conhecida Opera Rock – Tommy – foi no disco de 1971 que a perfeição finalmente foi alcançada. Muitos creditam este como o trabalha máximo da década de 70. Entre esses muitos, incluí-se este que escreve. Eu nunca pensaria que os sintetizadores, quase sempre extremamente mal utilizados, seriam chave deste soberbo trabalho. Nunca se ouviu um disco onde a banda soa tão alta e ainda sim cheia de detalhes e texturas.

É um trabalho de extremos. Raiva e sofrimento, humor e arrependimento, paixão e tumulto. Tudo isso misturado em uma química estranha e convidativa. Pulsada com a raiva de um coração jovem. Ao mesmo tempo que mostra que realmente o sonho acabou, a utopia colorida do poder da flor finalmente estava batida, e neste lixão onde vivem nossos adolescentes, a música acabou e nós não seremos enganados novamente.

Tecnicamente é até cruel falar de um disco tão completo. Enquanto nosso guitarrista cuidou de criar elaboradas composições e inventivas bases de guitarra, com diversas camadas de sons detalhando e crescendo com todo o sentimento que gira em torno do álbum, temos um vocalista que nunca esteve tão em forma, indo de interpretações suaves a gritos cheios de energia num piscar de olhos. A cozinha é uma história a parte. Talvez a melhor dupla de baixo e guitarra da história, no trabalho mais técnico e complexo da história do Rock, sem exageros. Keith, em suma, debulha viradas de bateria precisas durante quase todas as músicas, sem nunca soar exagerado ou tentando roubar o foco, de fato servindo a música. Enquanto John cria linhas de baixo mágicas e flutuantes, ele parece brincar com o instrumento e surpreende também não buscando roubar o foco e servindo a música de forma fantástica.

Destaques: vale tudo? Mas se for pra escolher algo: Baba O Riley, The Song Is Over (Linda), Behind Blue Eyes (Mesmo alguma bandinha de moda tentando estragar ainda é um clássico) e Won't Get Fooled Again (aff).

Isso é arte! Isso é Rock & Roll.



Vejam o gênio em fase de composição:



E agora a música servida por todos esse monstros de seus instrumentos:

terça-feira, janeiro 29, 2008

John Lennon - Plastic Ono Band (1970)

1970 foi um ano foda para a música, o sonho finalmente tinha acabado, os Beatles oficialmente estavam separados, os primeiros discos solos começavam aparecer, e não era de se espantar em ver trabalhos elaborados e cheios de qualidade. A auto censura dentro do quarteto de Liverpool devia ser tanta que músicas sensacionais aparecerem nestes primeiros trabalhos solos, são em grande parte dos casos sugestões para os próprios Beatles negadas. Basta dizer que temos neste ano McCarney, All Things Must Pass e Plastic Ono Band. Três dos maiores álbuns de carreira solo da história.

Por hoje vou me ater ao primeiro trabalho pós Beatles do John. É um trabalho pra lá de introspectivo, tratando de vários traumas da infância do garoto Lennon. O que vemos aqui são gritos primais contra instituições e ídolos. Canções com letras afiadas como Working Class Hero, que joga sua crítica ácida sobre a sociedade. Ou mesmo a superação e busca por novas crenças como em God aonde John desabafa não acreditar nem mesmo nos Beatles.

O disco tem diversas faixas levadas no piano, violão e com um clima pra lá de intimista, mesmo assim achando alguns lugares para guitarras gritantes e gritos de liberdade. Uma curiosidade interessante é o fato de se observar de fato as divergências musicas que cada Beatle começava a tomar logo no ínicio da carreira, e mesmo assim conseguir achar diversos fios condutores.

Destaques: Mother, Isolation, God, Working Class Hero, Well Well Well, I Found Out e Hold On

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Bob Marley and The Wailers - Catch A Fire (1973)

Será que a visão otimista de Bob sobre um futuro melhor, longe da repressão, um dia vai se realizar? Este que é um dos grandes discos da história da música é um trabalho visceral, cru, direto e violento. Não é apenas um disco de Marley, é um trabalho de uma banda em completa sintonia e com uma visão unida por um mesmo ideal e som.

Tudo que faz um disco permanecer maravilhoso durante os anos está aqui. Instrumentais minimalistas e muito bem colocados, tudo para manter o clima passional das letras politizadas. Sem contar as harmonias vocais agradabilíssimas. O que é o solo de guitarra em Concrete Jungle?

Contêm o clássico que nove em dez pessoas no mundo já ouviu alguma vez: Stir It Up. É uma aula de como tocar Reggae de forma criativa, coesa e muito gostosa de se passar horas ouvindo. Fique bem ao som de 400 Years.

Destaques: 400 Years, Concrete Jungle, Stir It Up e Kinky Reggae.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Wolf Parade - Wolf Parade (2005)

Fuçando em alguns artigos que escrevi no passado, redescobri essa indicação de uma banda que fazia tempos que não escutava. Ainda vale muito a pena, o texto é antigo mas a recomendação continua de pé. (PS. Agente aprende com o tempo a escrever melhor, muita coisa aí eu não faria mais. Engraçado ler novamente coisas de anos atrás.)

"Wolf Parade é como um cão retardado com quatro cabeças" é assim que o líder da banda os define. Formada em Montreal, Canadá em 2003, tiveram o primeiro show abrindo para o Arcade Fire. Uma bela maneira de começar uma banda. Em 2004 eles gravaram e lançaram por conta própria um EP com quatro musicas que fez um bom sucesso local. Não demorou muito para os empresários da Sub Pop os perceberem e contrata-los. Em julho de 2005 eles lançaram o EP pela gravadora, era uma forma de introduzir a banda oficialmente. Logo em setembro, foi lançando o primeiro álbum da banda. Era um dos lançamentos mais esperados na terra natal.

O disco conseguiu manter a energia e beleza de seus eps anteriores. A banda usou muito bem o seu produtor, buscando nele detalhes e informações sobre como soarem mais vivos e atingirem um patamar maior na cena Indie Pop. Spencer King e Dan Boeckner ambos cantam de uma forma que lembra bastante bandas recentes como The Shins, Clap Your Hand And Say Yeah e Hot Hot Heat. Um modo que muitas vezes lembra o David Byrne do Talking Heads.

“You Are A Runner And I Am My Father’s Son” e “Shine a Light” são as duas musicas aproveitadas de seus eps, receberam um tratamento diferente, uma nova produção porém sem mostrar grandes modificações na estrutura mostrando que as musicas já estavam prontas mesmo a muito tempo.
As baladas do disco ficam por conta de "Modern World", "Dinner Bells" e "Same Ghost Everynight", destaque para essa ultima cantada de forma emocionante. As três baladas são muito bem colocadas no disco, fazendo com que o pique não caia de forma alguma.

"Grounds For Divorce" é um dos grandes destaques do disco, com uma guitarra bastante cativante, e um vocal divertidíssimo. Impossível não se apaixonar pelo som da banda ao ouvir essa faixa.
"We Built Another World" e "Fancy Claps" são duas faixas agitadas, que completam o album sem deixar o nivel cair. "Dear Sons And Daughters Of Hungry Ghosts" abre a seqüência final de musicas que é de sensacional. A faixa tem uma melodia alto astral, impossível não querer sair cantando a musica depois de algumas vezes que voce ouve. Com direito a back vocals e uma bateria com uma levada deliciosa.

"I’ll Belive In Anything" é uma faixa mais lenta mas mais uma vez com uma melodia sensacional. "It’s A Curse" tem uma guitarra muito interessante, combinada com o teclado.
A ultima faixa é "This Heart’s On Fire", que chega quando voce acha que a banda já não tem mais o que mostrar. A musica é contagiante, pulsante, cativante e muitos outros entes. O vocal gritado no final vai anunciando o fim de um dos mais felizes lançamentos de 2005.

A banda admite o seu amor pela musica dos últimos 30 anos. De Bowie a Pixies, passando por Talking Heads, e sem esquecer coisas mais recentes como o próprio Arcade Fire. Se voce ainda não ouviu, vale a pena dar uma conferida nesse inicio de 2006 antes dos grandes lançamentos desse ano.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Velvet Underground - Loaded (1970)

São poucas as bandas que realmente foram revolucionárias e quebraram barreiras do convencional criando todo um universo novo. Podemos citar algumas como Beatles e Ramones, mas com certeza nenhuma citação estará completa sem o Velvet Underground. Uma banda realmente vanguardista, com experiências sonoras e uma força totalmente deslocada de seu contexto histórico. As letras levadas a um novo contexto mais perverso e realista. Durante sua curta vida, o grupo não teve o reconhecimento que merecia, existiam sim, uma legião de fãs devotos e alguns críticos entusiastas, porém mesmo o impacto que a banda causava no rock só seria constatado muito tempo depois.

Loaded pode se dizer ser o último suspiro artístico da banda, logo depois seu fundador e principal compositor Lou Reed saiu da banda para seguir uma peculiar e interessante carreira solo. E mesmo assim existem controvérsias, afinal, Maureen (a Baterista) tinha acabado de ter um filho e estava um tanto quanto distante da banda e John Cale (multi-instrumentista) a muito tempo distante o disco é quase que um trabalho solo de Reed. Porém como é o primeiro lançamento por uma grande gravadora, existe um melhor tratamento da gravação, uma produção mais primorosa, o que faz com que as músicas soem como sempre deveriam ter soado.

Esse trabalho é a prova definitiva que o V.U. poderia sim ser uma banda gravando material de ótimo nível mesmo estando em uma gravadora grande. Era um disco recheado e hits, com uma sonoridade muito agradável e sem jamais deixar de fato o lado “underground” da banda. Um fato que poucas bandas conseguem administrar quando atingem um certo sucesso. Uma pena que o reconhecimento tardou demais para vir, a coisa só tenderia a melhorar.

Destaques: “Sweet Jane”, “Rock N' Roll”, “Oh, Sweet Nuthin'” e “Who Loves The Sun”.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Radiohead - In Rainbows (2007)

Devo confessar que está é a sétima versão do texto que escrevo. Primeiro porque existe um contexto muito maior por de traz deste novo “disco”. Segundo porque ele já começou a criar novos sentidos, novas camadas a cada audição viciante que me aventuro. Esta é uma das bandas que eu acompanho desde meus tempos de adolescente, junto com Nirvana, Pearl Jam e outras que não valem a menção Radiohead fazia parte da minha restrita discoteca. Pablo Honey - “but I'm a creep....” - foi tocado vez após vez em um loop quase infinito. O engraçado é como de certa forma vejo refletido meu amadurecimento na evolução da obra deles, nenhuma banda acompanham tão bem os momentos da minha vida.

O Radiohead, ao meu ver, chegou a um ponto que poucos artistas chegam, que é quando se faz música pela pura e simples forma de se fazer arte. Fazer arte para se entender, para entender o resto, para viver. O álbum anterior da banda mostra bastante isso, Hail To The Thief era um disco mais para eles do que para o público, com algumas canções muito fortes, porém sem o mesmo impacto causado anteriormente. Muitos apontaram que isso seria uma volta ao Rock. O que acho um absurdo de ser dito, a banda traçou um lindo caminho e deve continuar como manda a mente doentia de Thom.

In Rainbows é um conjunto de músicas único, bonito, cativante, instigante e comparável a qualquer outro trabalho da banda no passado. Nós temos uma introdução com uma bateria interessante e vemos de cara que algo mudou, o vocal entra de forma precisa e temos uma baita de música a altura da fina lista de composições de alto escalão que abrem os discos da banda. É interessante analisarmos o uso da guitarra ao longo de todas músicas, ela está muito presente e mais importante, usada de formas inovadoras.

O toque especial a ser comentado é o lançamento, muito a frente de seu tempo como sempre, Yorque e a trupe resolveu lançar o novo trabalho sem gravadora alguma, na internet, com o interessante fato que se paga o quanto quiser pela versão digital, exato o quanto você estiver disposto a pagar pelas músicas. Existem uma versão de luxo em vinil que custa 20 libras, que os mais fanáticos devem estar dispostos a pagar. E todo o dinheiro vai para a banda. Bela tacada.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Rolling Stones - Let It Bleed (1969)

Um disco que começa com “Gimme Shelter” merece no mínimo uma audição de respeito, essa canção que não só mostrava como a banda foi abalada com o incidente do show em Altamont mas também é uma simbologia perfeita para o “Sonho Acabou” era o fim da utopia hippie. Ainda sim é um disco de sangue, sangue com barro, country, blues e gospel, tudo misturado, queimando e combinando feito a receita para o apocalipse. Maníacamente desesperados como em “Live With Me”; o blues assassino de “Midnight Rambler”; o épico moralista, com direito a coro de igreja e um honky tonky sacana de “You Can't Always Get What You Want” o qual, reza a lenda, Mick escreveu no seu quarto com um violão apenas e depois parodiou dizendo que seria hilário ter um coro acompanhando.

Neste disco a participação do Brian Jones já foi bastante reduzida, e mesmo o seu substituto teve uma ponta modesta sendo assim a maioria das guitarras foram gravadas mesmo pelo Keith. O velho pirata nesta época andava bastante com Gram Parson, recém saído do Byrds, o que nos justifica totalmente a forte influência de Country que aparece por aqui.

É incrível como este disco se enquadra perfeito no quarteto de discos que os Stones lançaram no final dos 60. É uma quadra maravilhosa, começando no Beggars Banquet, Let It Bleed, Sticky Fingers e Exile on Main Street. São quatro dos discos mais importantes do Rock da terra da rainha.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Depeche Mode - Violator (1990)

Em uma palavra, estonteante. Mesmo que seja um disco que segue a mesma linha que os dois trabalhos anteriores do grupo, neste eles atingem finalmente o fino da obra, letras muito bem tratadas e arranjos perfeitos. Esse disco é daqueles que música após música existe algo melhor, é impossível manter uma preferida por muito tempo. Para se ter uma idéia os dois primeiros singles deste álbum foram “Personal Jesus” e “Enjoy The Silence”; a primeira é perplexamente simples e perversamente boa, algo como um blues sobre uma batida funk (americano, sic) enquanto que a segunda é a melhor e maior balada-romântica-dançante. Ainda tivemos singles como “Policy of Truth”, típica letra amor/ódio e um q de Motown, divina.

Como de costume não vou mais falar das músicas, não sou fã de análises faixa a faixa, porém são tantos destaques neste disco que é difícil não citar. A sonoridade é maravilhosa, uma das melhores produções em termos sonoros. Os arranjos são complexos, várias camadas, guitarras, teclados, vocais, barulhos, tudo vai tomando conta de forma perfeita, nada parece fora do contexto.

O Depeche Mode é uma das maiores bandas se não a maior banda em atividade e em plena produção de material inédito de qualidade. Fazem um dos melhores shows da atualidade e ainda tem muitos quilômetros pela frente.

Por curiosidade quem quiser deve correr atrás de algumas versões de músicas deste disco. Johnny Cash gravou Personal Jesus e Tori Amos gravou Enjoy The Silence, em ambos os casos são de tirar o fôlego.



As palavras não são necessárias.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Blur - Blur (1997)

Cavalos trotando pra longe se transformam em uma safada guitarra distorcida e assim começa esse disco que esbanja Britpop da melhor qualidade. Que o Blur é uma banda das mais importantes da década de noventa e deu um novo animo ao cenário britânico que vinha da ressaca das intermináveis festas da Hacienda, não há dúvidas, que atire a primeira pedra quem nunca gritou Uhuuuuu (pífia tentativa de remeter a Song 2). Beatles, Rolling Stones, Nick Drake, Led Zeppelin, The Who, The Clash, Sex Pistols, Joy Division, Depeche Mode, The Police, The Smiths, The Stone Roses, Oasis, PJ Harvey e Radiohead são apenas uma parcela, mais conhecida, das bandas que saíram da terra da Rainha. O que existe de especial então neste quarteto? Primeiramente a incansável briga que travaram disco a após disco com o Oasis. Algo que remetia quase que diretamente ao Beatles x Rolling Stones, talvez o posto de pedras rolantes seria dos irmãos Gallagher e o quarteto de liverpool representado pelo Blur, brincadeiras a parte, uma repetição da história mostrava novamente duas bandas dividindo opiniões pelo mundo. Em segundo lugar essas duas bandas foram responsáveis por grande parte dos grandes hits britânicos da década, talvez levando ligeira vangatem o Oasis no quesito emplacar músicas na parada.

Agora a decisão pelo disco auto intitulado foi um tanto quanto difícil, competir com trabalhos como Parklife e The Great Escape não é tarefa fácil. Talvez o que tenha pesado a favor deste trabalho foi o fator que ajuda na escolha dos melhores vinhos também, o envelhecimento, foi um trabalho que ganhou novas texturas e um novo sentido pra mim e hoje é o que mais admiro deles, seguido do fabuloso 13.

Como de costume evito fazer uma crítica faixa a faixa ou explicar como o som da guitarra com efeito xyz no minuto x da música me faz achar a obra genial. Vou pelo que o coração diz: é um disco que gosto de ouvir do início ao fim e como todos os outros até agora, é uma recomendação de algo que me agrada muito. Espero que gostem.

Destaques: Beetlebum, You Are So Great, Song 2, Look Inside America, On Your Own. e Strange News From Another Star.



Beetlebum ao vivo na época do álbum 13:

quinta-feira, setembro 13, 2007

The Arcade Fire - Funeral (2004)

Como tratar temas tais como a morte, a solidão e a perda? Temas que conspiram normalmente para um trabalho denso, pesado, com um clima cinza e guardado para manhãs chuvosas de sábado. Isso seria o obvio claro, neste primeiro trabalho desta trupe canadense eles realizam praticamente um catarse e expurgam todos os demônios com um disco cheio de energia, belíssimas melódias e muita criatividade.

Funeral é um disco atemporal, poderia ter sido lançado nos anos sessenta e seriam vanguardistas, lançado hoje é um disco ainda sim vanguardistas somado ao saudosismo que vemos em claras referencias a grandes bandas dos anos 60, 70 e 80. Com grande ênfase na década perdida. “Someone told me not to cry”. Um disco antológico que já ficou para a história.

Eles já despertaram figurões como David Bowie e Bono Vox, fizeram um show delirante no último Tim Festival, revolucionaram a forma de mostrar seu trabalho, soltando vídeos aonde a banda tocava dentro de um elevador ou faziam confusão misturando as músicas do novo trabalho e soltando algumas na internet. Lançaram um segundo trabalho bastante autoral e com muita personalidade mostrando terem bastante noção de onde querem chegar. Não preciso me delongar mais para dizer que considero essa uma das grandes bandas da atualidade.

Destaques: Neightboohood #1(Tunnels), Neightboohood #2 (Laika), a belíssima Crow Of Love e Wake Up.



Para quem quiser ler uma postagem interessante sobre o outro disco da banda. Cá está.

Momento fã:
Uma apresentação com a faixa Neon Bible do mais novo álbum seguida da poderosa Wake Up em uma versão linda, 15 minutos que valem a pena:

terça-feira, setembro 11, 2007

The Beatles - Revolver (1966)

Foram mais de cem postagens para tomar coragem e escolher algum disco dos Beatles para entrar na minha discografia básica, a qual levaria para uma ilha deserta e todos essas alegorias em formas de clichês. Por que o Revolver? A resposta estava na minha cara durante o tempo todo, porque é meu disco preferido a uns quatro anos já, algo que sempre esteve em mutação, fez-se estável com esse trabalho definitivo. Rock, folk, jazz, música clássica, indiana... técnicas que a mais de quarenta anos ainda são vanguardistas e ouso dizer únicas, poucos artistas conseguem unir uma produção de tamanho nível a composições sublimes.

Taxman é uma composição do George (meu Beatle preferido) e abre o disco, um detalhe que poucos sabem é que quem sola na música é o Paul, tocando guitarra mesmo, e que solo! Eleanor Rigby dispensa apresentações, talvez seja a faixa mais conhecida deste álbum. Não vou comentar música a música pois comentaria absolutamente todas.

Da mesma maneira que o Kind Of Blue do Miles Davis redefiniu o Jazz, este trabalha do Fab Four moldou para sempre o que viria a ser o Pop Rock. Todas as referências e grandes inovações vieram daqui. Entrando um pouco na Beatlemania vale ressaltar que esse ainda era o auge do grupo como um todo, depois começaria a vir alguns desentendimentos e ainda viriam grandes discos claro, mas aqui ainda existia uma química muito forte entre todos.

Caso não esteja muito bem apresentado ao quarteto de Liverpool, este é um ótimo começo, escute do início ao fim. Perfeição rara.

Destaques: tudo.



For No One (Minha música preferida, destaque para o Paul explicando que teria um solo de trompa no meio)

terça-feira, agosto 28, 2007

Vanguart - Vanguart (2007)

É bem complicado falar de uma banda como o Vanguart, afinal toda essa nova leva de bandas devem muito ao Los Hermanos que bateram no peito e souberam criar uma nova identidade ao Rock nacional. É muito difícil desassociar a referência direta que foi o quarteto carioca para toda a cena musical conseqüente. O Vanguart porém consegue ser diferente, consegue ter sua personalidade e não se tornar meras sombras do sucesso dos barbudos. A cena musical nunca esteve tão efervescente não é uma ou duas bandas, existem algumas boas bandas surgindo e se firmando como salvadoras do que até então era um estilo em total decadência e na mão das grandes gravadoras ou dos grandes especiais acústicos.

O Vanguart soube, de cabeça erguida, reverenciar suas influências claras como; Bob Dylan, Cat Stevens, Lou Reed, Neil Young, Love ou Beatles, e em momento criou uma mistura nacional de muita classe. Devo admitir que não sou fã das composições em inglês dos caras, e como não sou um completo conhecedor da história do grupo não sei se isso seria uma ofensa a origem do grupo, caso seja me explico: acredito que nas composições em inglês ainda mostra bastante comum, sem entregar um motivo claro de porque escutar Vanguart e não Neil Young. Agora nas composições em português a Banda entrega um novo leque de possibilidades para serem exploradas na nossa música.

O disco está disponível na revista OutraCoisa (iniciativa do Lobão, por sinal uma revista de muito respeito que já lançou perolas como o disco do Mombojó.) por um preço de R$16,90 algo justo na minha opinião. Também pode se conferir o belo clipe de Cachaça no Youtube. Vamos ficar de olho no som deles, aposto numa evolução para os próximos trabalhos.

Destaques: Semáforo, Antes que eu me esqueça e Cachaça.

quarta-feira, agosto 22, 2007

Antony and The Johnsons - I Am A Bird Now (2005)

Ontem saiu a programação do TIM Festival, e confirmando o que eu já imaginava, os destaques mesmo serão a Bjork e o Antony. Não faço muita questão de ver as outras bandas, talvez exceto a Cat Power que será um show que vou assistir sem criar muitas espectativas.

Pra mim o principal da música é o sentimento, assim como o motivo da vida, da arte é capturar esses sentimentos e aproveitar cada segundo deles. Músicos sensíveis sempre chegaram a um status diferente: Nina Simone, Morrissey, Kurt Cobain, Cazuza e Nick Drake são apenas alguns exemplos de pessoas extremamente sensíveis e que conseguiram canalizar isso tudo em forma de música, cada qual com sua loucura. Antony é um personagem enigmático transpira sensibilidade, algo a flor da pele - é quase como se ele senti-se por todos e expressasse não só os sentimentos dele e sim da humanidade toda - algo quase sublime, uma sexualidade forte, e muito mais importante do que isso: uma presença avassaladora, controversa e principalmente que incomoda. Sim Antony incomodou muitos e não teve um caminho fácil para chegar aonde está hoje. Ele fez muitos criticarem seu visual, e muitos chorarem; muitos como o Lou Reed que chorou ao ver este, então ainda garoto, debulhar confissões no piano.

I Am A Bird Now é o seu segundo trabalho de estúdio, lançado em 2005, ganhou diversos prêmios e foi para este que vos escreve o melhor disco do ano. É um trabalho cheio de nuancias belíssimas, sutilezas que quase nos sufocam, que dão aquele nó na garganta. A voz forte e assustadoramente parecida com a de ninguém menos que Nina Simone conduz o ouvinte por um caminho amargo de uma grande perda ou de um grande depressão, porém um caminho lindo e tocante. A sinceridade que o disco soa é de fazer qualquer um se mover, impossível não tomar posicionamento perante tal obra. Mesmo os que se incomodam por não estarem no estado de espirito pra tamanho viagem nostálgica por sentimentos que todos já passaram.

Destaques: Hope There's Someone, My Lady Story, For Today I Am a Boy, You Are My Sister, What Can I Do? e Fistful Of Love (Maravilhosa).

terça-feira, agosto 14, 2007

Air - Moon Safari (1998)

O que fazer quando tecnicamente um disco de som ambiente toma todo o ambiente e lhe deixa mais ligado na música do que o que está em sua volta? Moon Safari, disco da dupla francesa Air, lançado em 1998 é talvez um dos maiores trabalhos de música eletrônica ambiente. "La Femme Dárgent" que o diga, a música abre o disco e nos leva em uma viagem de quase 7 minutos, levada em um baixo malandro e cheia de teclados que fazem cama para as mais diversas texturas.

Talvez um dos pontos mais interessantes, seja o uso de vários instrumentos retrô, anos 70, anos 80. O que antes era quase sempre usado no rock progressivo, aqui ganha outra roupa e é usado com extremo bom gosto. Essa mistura, uma sonoridade que nos remete ao antigo, e soa extremamente nova é um dos pontos que mais encanta durante o álbum todo.

É um disco para sentar, e curtir. Uma viagem sua, talvez sua e de mais alguém, existem vários detalhes, e muitos lugares que o som pode te levar ouvindo esse pequeno exemplo de um disco Pop, criativo, forte, e belíssimo.

Destaques: Le Femme Dárgent, Sexy Boy, Ce Matin La, La Voyage De Penelope, All I Need.

segunda-feira, julho 30, 2007

Roberto Carlos - O Inimitavel (1968)

Espero que não me xinguem de herege e que não torçam o nariz com simples preconceito contra um dos grandes artistas da música Pop nacional. Está até certo que o rei até tem sido valorizado recentemente com algumas bandas nacionais dizendo que ele é clara referência para o som de hoje.

O trabalho de 1968 é pós jovem guarda, a febre do iê-iê-iê já tinha passado e agora novas musicalidades começavam a ser exploradas, aqui o estilo flerta muito com o a soul music. Ainda sim, claro, alguns resquícios do inicio da carreira aparecem ali ou aqui, como em "É meu, é meu, é meu", uma faixa que caberia fácil nos trabalhos anteriores, guiada por um violão rancheiro e uma gaitinha a la Lennon.

"Ninguém vai tirar você de mim" é um dos pontos mais altos, uma levada com bastante swing e uma sonoridade muito bem acabada. "Quase Fui Lhe Procurar" é o presságio do que Roberto faria na fase mais romântica.

A banda que acompanha o Rei neste trabalho é ninguém menos que Renato e Seus Blue Caps além de seu já tradicional tecladista Lafayette. Sendo um trabalho instrumental primoroso.

Por mais que o Rei seja muito negado, e muito apedrejado pela fase romântica e católica, além da parceria perpétua com a Rede Globo, ele foi um dos compositores, interpretes e artistas da música brasileira mais vanguardistas e que deixou marcas importantíssimas. Muito de hoje se deve a ele.

Destaques: "Ninguém vai tirar você de mim", "As canções que você fez pra mim", "Eu te amo, te amo, te amo" e "Se Você Pensa".


quarta-feira, julho 25, 2007

Radiohead - Kid A (2000)

Kid A é o quarto álbum da banda Radiohead, o sucessor do clássico absoluto OK Computer, foi lançado em meados de Outubro de 2000, e foi um sucesso de vendas, graças a grande expectativa em torno do que viria depois da obra prima de 1997. Três anos é muito tempo de espera, e como nenhum single ou video foi lançado para a promoção deste disco, muito foi especulado, e inclusive um suspeito vazamento do disco na Internet ajudaram a criar um ar de mistério e interesse em torno desta obra.

Apesar de ter sido um sucesso comercial e ter ganho prémios como o Grammy (melhor álbum alternativo) poucos críticos se arriscam a explicar o porque disso. É um dos trabalho mais desafiadores de se entender, ausência de guitarra, distanciamento, melancolia, experimentação ao máximo, são fatores que ajudam e muito a ser o trabalho de difícil assimilação.

Uma ode contra a sociedade moderna, um protesto contra a deselegância burra pré-colapso do capitalismo. Mas não mais da forma seca que transformava o ouvinte em um andróide paranóico que a vida consumista ironicamente o consumia. Assim chegando a algo muito mais próximo do mundo real do que antes: algo árido, tenso, pós-rock, ermo.

Infelizmente, ironicamente e graciosamente se me pedissem para tentar resumir a sociedade moderna para um extraterrestre eu lhe mostraria esse disco.

Destaques: Everything Is The Right Place, The National Anthem, How to Disappear Completely e Idiotheque.

segunda-feira, julho 23, 2007

Beth Orton - Comfort Of Strangers (2006)

Beth Orton foi audaciosa ao misturar a beleza delicada do folk tradicional com as batidas eletrônicas do trip-hop, criando uma nova e bastante distinta mistura de sons e ritmos. A inglesa antes de se lançar na carreira solo, fez em 1995 uma parceria com nada menos do que o Chemical Brothers, na ótima canção “Alive: Alone” e em 1996 lançou seu aclamado primeiro disco “Trailer Park”, que contém seu maior sucesso comercial, a linda “She Cries Your Name”. Beth não teve pressa e levou aproximadamente três anos para lançar o seu próximo álbum, “Central Reservation”, que em um circuito mais fechado atingiu o patamar de disco cult. O primeiro single, “Stolen Car” chegou a fazer até um certo sucesso nas rádios americanas. Depois de mais um hiato de três anos, Beth lançou o já aguardado por seus fiéis fãs “Daybreaker”, que não conseguiu repetir o impacto de seus primeiros trabalhos, sendo um disco mais previsível e quase que comum para os padrões atuais.

De lá para cá, Beth voltou a trabalhar com o Chemical Brothers e também realizou uma parceria com o cantor folk Ryan Adams. Porém, já se passavam quase quatro anos de seu último trabalho de estúdio, e eis que no inicio de 2006 fomos presenteados com um sublime legado de quatorze canções gravadas em pouco mais de duas semanas. “Comfort Of Strangers” merece ser analisado primeiro pela sua arte gráfica, que é sem dúvida alguma uma das capas mais bonitas dos últimos tempos: uma linda pintura a óleo de uma casa de campo com seu lago e um belo arco íris no meio, o contraste de luz e sombra passa a idéia perfeita de como o disco soa.

É muito bom saber que as qualidades que mitificaram seus dois primeiros trabalhos estão de volta: sensibilidade aliada a muitas idéias novas e interessantes em seu estilo peculiar de música, tome como exemplo a belíssima faixa de abertura “Worms”. O disco é uma fusão da delicadeza acústica de violões, pianos e cordas com os ritmos intricados e muitas vezes surpreendentes, como podemos perceber em “Countenance”. É engraçado dizer, mas é um som complexo e ao mesmo tempo prazerosamente digestível. Claro que a voz doce e as letras engajadas de Orton são um dos grandes destaques. A produção ficou por conta de Jim O'Rourke, que é responsável pelas misturas de ritmos e toda a complexa sonoridade do álbum.

“Shadow of a Doubt” é forte e, como marca registrada de Beth, deixa-nos com uma sensação agradável de esperança, mesmo que uma esperança quase nostálgica. Aliás, essa idéia mostrada na capa do raio de sol rompendo as densas nuvens é uma imagem constante durante a audição de “Comfort Of Strangers”, como em “Shopping Trolley” que tem um clima todo peculiar, com guitarras marcantes e a bateria nos levando cada vez mais longe. Esses são apenas alguns dos muitos grandes momentos deste já grande disco de 2006.

Pode-se dizer que “Comfort Of Strangers” é um novo começo para Beth: é um trabalho simples no todo, e também simplesmente um dos sues melhores trabalhos.


quarta-feira, julho 18, 2007

Beck - Sea Change (2002)

Existem artistas que as vezes resistimos por diversos motivos a gostar da música deles, por vezes negamos sua qualidade ou simplesmente ignoramos os pontos positivos e buscamos as falhas. Pois aí, ainda mais para um cabeça dura como eu, é difícil que essa música conquiste seu devido espaço. Porém, as vezes, a qualidade do cara vem na forma de um tapa tão feroz na sua cara que você só consegue responder com um tímido e concordante balançar da cabeça; de fato você foi muito burro durante o tempo em que negava ele três vezes ao dia.

Beck teve exatamente esse efeito em meu universo musical. Eu sempre torci o nariz para esse "americano metido a revolucionário da música". Quando certo dia escutando uma rádio online, ouço um folk acústico carregado por um arranjo de cordas de chorar. Algo que não se via desde Space Odditty ou Nick Drake. Doido para saber o que era, quando vi meu mundo desabou. Beck. Não entendi nada, corri atrás e descobri esse álbum, essa pérola, perdida. Sea Change, como o próprio nome sugere, mostra um Beck em constante mudança, constante evolução, constante busca pelo novo, pela sonoridade perdida.

A música que me arrasou foi Lonesome Tears, quarta faixa deste álbum, que é um glossário definitivo de como produzir um disco Folk, levado por uma guitarra acústica e arranjos sublimes de cordas, efeitos, pequenos ruídos, detalhes que compõem um todo perto da perfeição.

Acabei por depois reconhecer a qualidade deste cantor e descobri uma discografia cheia de trabalhos interessantes.

Corram atrás desse disco. É de uma magia linda. Algo triste, profundo, que toca.

Destaques: Lonesome Tears, The Golden Age, Paper Tiger, Guess I'm Going Fine e Round The Bend.

quarta-feira, julho 11, 2007

Nick Drake - Five Leaves Left (1969)

Se corre sangue na sua veia, Nick Drake é capaz de fazer você se arrepiar até a alma. Existe aquele pequeno grupo de músicos que durante sua carreira, nunca foram reconhecidos e tratados com devido respeito. Mesmo Velvet Underground, Joy Division, Syd Barret e Big Star só foram reconhecidos depois de muito tempo. São pessoas, bandas, almas muito a frente do seu tempo, uma percepção torta da realidade, que as vezes não é de fácil compreensão.

Nick Drake, começou a se dedicar a música em 1967, ao mesmo tempo que começou um interesse profundo por literatura. E em 68 depois de se apresentar em alguns festivais de folk, arranjou um contrato para gravar um disco. Aqui que nasce o Five Leaves Left disco lançado no ano seguinte.

O tímido rapaz de mais de 1,90 de altura, criou uma seleta coleção de melodias e harmonias que carregavam um profundo tom de tristeza, e uma beleza extremamente rara. É um disco ímpar, algo que surge uma vez a cada década. Vale cada faixa, cada palavra cantada, cada nota tocada.

Destaques: River Man, Fruit Tree, Day Is Done e Three Hours.