Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, abril 28, 2008

Marcelo Montenegro - Postal

Daqui a 30 anos, digamos,
que alguém leia este poema.
Todos os pequenos laços
que o ligam ao mundo
fora dele e à vida de um
poeta fudido entre milhões
de pessoas lugares motivos
não estarão mais aqui para socorrê-lo.
Daqui a 30 anos a coisa
será somente a coisa mesmo.
Uma cápsula amputada do tempo,
um bife arrancado do amor.

quarta-feira, abril 09, 2008

Um fodido na augusta.

minha identidade não significa merda alguma
não compra nem se quer uma cerveja choca
não é moeda de troca nem no mercado negro
sentimentos que acumulei ao longo dos anos
agora apodrecem debaixo da cama, esquecidos

nem me orgulho de ter rastejado atrás de putas
as mesmas vadias que depois vieram me destruir
elas mesmas que me fizeram sofrer feito o diabo

digo que sou um cagado e fudido porque é isso
o meu patrão, quer me demetir.
a família, quer me desertar
me acho digno de pena.

a mãe, velha e cansada
já desistiu de me levar
a algum lugar que preste

depois de criança, ser poeta,
é ser maluco, é ser caduco.
é coisa de malandro, de vagabundo.

mas não ligo, resta sangue de sobra
sangue batizado de uísque barato.
e um grande foda-se para o resto.

quarta-feira, abril 02, 2008

Bernardo Vilhena - Esse Cara Não Existe

olha aí meu chapa
é o seguinte
no duro no duro
o que eu queria mesmo
era passar uns três dias sem existir
três diasinhos só
sem problema sem dinheiro sem fome sem sede sem sono
sem nada
absolutamente nada
e nem um telefone vai tocar pra mim
nem um sinal vai fechar pra mim
nem um cana vai me pedir documento
porque afinal eu não existo
não tenho identidade cpf título de eleitor
e nem um pingo de personalidade
já pensou?
cadê o bernardo?
bernardo? que bernardo? qual bernardo?
o magalhães, o figueredo, o da silva
ou o bernardo de niterói _ fundador dio charme da simpatia?
não meu chapa
ninguém ia perguntar por mim
porque simplesmente eu não existo
e não existe nenhuma armadilha que eu possa armar pra
mim mesmo
nenhuma artimanha nenhum sentido razão ou instinto
capaz de me fazer existir
porque o prazo é de três dias
três daiasinhos só
mas que felicidade
eu e mais ninguém
aliás nem eu
e mais ninguém
sozinho de mim mesmo
sozinho até daquela semi maluca que não me sai da cabeça
me entenda bem: não tô falando de amnésia
desmaio morte ou sumiço
tô falando de deixar de existir
já pensou?
eu não quero nem pensar porque quem não existe meu chapa
nem pensa

Restos mentais.

Queria poder cerrar os olhos e que o mundo caísse morto.
Pois vejo todos pelados, e sempre me pergunto, quem são essas pessoas?
Infelizmente eu ainda não entendi, o que vou ver quando chegar em casa.
Ou seria quando eu sair de casa? Acolho o mundo como casa e logo me arrependo.
Sempre alguém tem alguém que me aponta e fala é ele. Eu pergunto o que é?
Logo jurando com a mão posta na Bíblia, percebo estar sozinho. Então é isso?

Ainda que saiba que se abrir as pálpebras, o mundo vai estar aí, emanando toda essa merda.
Mas a desconstrução deveria ser simples. Valsam pra lá as estrelas, as natureza e a física.
Entra a galope, rasgando o nada como manteiga, a temida onda de desolação.
Cerro os olhos com força e o mundo volta a morrer no estralar dos dedos.
Beijo a insanidade na boca e cuspo a senhorita que me chama de estranho sonhador.
Só de pensar que eu costumava rir de tudo isso, e agora me assusto feito pato devasso.

E tudo não deixa de ser palavras, golpes contra o branco para amenizar a solidão.
Tudo isso pra saber que depois, vai vir um depois igual ao depois de antes. Depois.
Pra ver como os velhos definham em meio a desejos de grandeza reprimida sem razão.
Pois acho, que essa prosa introvertida entre eu palhaço e o eu letrado e diplomático
Não deixa de ser um facada, um desejo de se sentir jogado a loucura alheia.
Besteiras sem sentido? Antes jogadas no papel do que atoladas aqui dentro.

terça-feira, abril 01, 2008

segunda-feira, março 31, 2008

Allen Ginsberg e o Uivol

Segue a primeira parte dessa puta poesia do caralho.

Eu vi os expoentes da minha geração, destruídos pela
loucura, morrendo de fome, histéricos, nus,
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada
em busca de uma dose violenta de qualquer coisa,
hipsters com cabeça de anjo ansiando pelo antigo
contato celestial com o dínamo estrelado da
maquinaria da noite,
que pobres esfarrapados e olheiras fundas, viajaram
fumando sentados na sobrenatural escuridão dos
miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando
sobre os tetos das cidades contemplando o jazz,
que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado
e viram anjos maometanos cambaleando iluminados
nos telhados das casas de cômodos,
que passaram por universidades com olhos frios e
radiantes alucinando Arkansas e tragédias à luz
de Blake entre os estudiosos da guerra,
que foram expulsos das universidades por serem loucos
& publicarem odes obscenas nas janelas do crânio,
que se refugiaram em quartos de paredes pintura
descascada em roupa de baixo queimando seu
dinheiro em cestos de papel escutando o Terror
através da parede,
que foram detidos em suas barbas púbicas voltando
por Laredo com um cinturão de marihuana para
Nova Iorque,
Que comeram fogo em hotéis mal pintados ou
Beberam terebentina em Paradise Alley, morreram ou
Flagelaram seus torsos noite após noite com
Som sonhos, com drogas, com pesadelos na vigília,
Álcool e caralhos em intermináveis orgias,
Incomparáveis ruas cegas sem saída de nuvem trêmula,
E clarão na mente pulando nos postes dos pólos de
Canadá & Paterson, iluminando completamente o
Mundo imóvel do Tempo intermediário,
solidez de Peite dos corredores, aurora de fundo de
quintal das verdes árvores do cemitério, porre de vinho
nos telhados, fachadas de lojas de subúrbio
na luz cintilante de neon do tráfego na
corrida de cabeça feita do pazer, vibrações de
sol e lua e árvore no tronco de crepúsculo de
inverno de Brooklyn, declamações entre latas
de lixo e a suave soberana luz da mente,
que se acorrentaram aos vagões do metrô para o
infindável percurso do Battery ao sagrado Bronx
de benzedrina até que o barulho das rodas e
crianças os trouxesse de volta, trêmulos, a boca
arrebentada o despovoado deserto do cérebro
esvaziado de qualquer brilho na lúgubre luz do
Zoológico, que afundaram a noite toda na luz submarina
de Bickford´s, voltaram à tona e passaram a tarde
de cerveja choca no desolado Fuggazi´s escutando
o matraquear da catástrofe na vitrola
automática de hidrogênio,
que falaram setenta e duas horas sem parar do
parque ao apê ao bar ao Hospital Bellevue ao
Museu à Ponte do Brooklyn,
Batalhão perdido de debatedores platônicos saltando
Dos gradis das escadas de emergência dos parapeitos
Das janelas do Empire State da Lua,
Tagarelando, berrando, vomitando, sussurrando fatos
E lembranças e anedotas e viagens visuais e choques
Nos hospitais e prisões e guerras,
Intelectos inteiros regurgitados em recordação total
Com os olhos brilhando por sete dias e noites,
Carne para a sinagoga jogada à rua,
Que desapareceram no Zen de Nova Jersey de
lugar algum deixando um rastro de postais ambíguos
do Centro Cívico de Atlantic City,
sofrendo suores orientais, pulverizações tangerianas
de ossos e enxaquecas da China por causa da
falta da droga no quarto pobremente mobiliado de Newark,
que deram voltas e voltas à meia noite no pátio da
ferrovia perguntando-se aonde ir e foram, sem
deixar corações partidos,
que acenderam cigarros em vagões de carga, vagões
de carga, vagões de carga, que rumavam ruidosamente
pela neve até solitárias fazendas dentro da noite do avô,
que estudaram Plotino, Poe, São João da Cruz, telepatia
e bop-cabala pois o Cosmos instintivamente
vibrava a seus pés em Kansas,
que passaram solitários pelas ruas de Idaho procurando
anjos índios e visionários que eram anjos índios e visionários
que só acharam que estavam loucos quando Baltimore
apareceu em estase sobrenatural,
que pularam em limusines com o chinês de Oklahoma
no impulso da chuva de inverno na luz das ruas
da cidade pequena à meia-noite,
que vaguearam famintos e sós por Huston procurando
jazz ou sexo ou rango e seguiram o espanhol
brilhante para conversar sobre a América e a Eternidade,
inútil tarefa, e assim embarcaram
num navio para a África,
que desapareceram nos vulcões do México
nada deixando além da sombra das suas calças
rancheiras e a lava e a cinza da poesia espalhadas
pela lareira Chicago,
que reapareceram na Costa Oeste investigando o FBI
de barba e bermudas com grandes olhos pacifistas
e sensuais nas suas peles morenas, distribuindo
folhetos ininteligíveis,
que apagaram cigarros acesos nos seus braços
protestando contra o nevoeiro narcótico de
tabaco do Capitalismo,
que distribuiram panfletos supercomunistas em Union
Square, chorando e despindo-se enquanto as
Sinrenes de Los Alamos os afugentavam gemendo
mais alto que eles e gemiam pela Wall Street e
também gemia a balsa de Staten Island
que caíram em prantos em brancos ginásios desportivos,
nus e trêmulos diante da maquinaria de outros esqueletos,
que morderam policiais no pescoço e berraram de
prazer nos carros de presos por não terem cometido
outro crime a não ser sua transação pederástica e tóxica,
que uivaram de joelhos no metrô e foram arrancados do
telhado sacudindo genitais e manuscritos,
que se deixaram foder no rabo por motociclistas
santificados e berraram de prazer,
que enrabaram e foram enrabados por esses serafins
humanos, os marinheiros, carícias de amor
atlântico e caribeano,
que transaram pela manhã e ao cair da tarde em
roseirais, na grama de jardins públicos e cemitérios,
espalhando livremente seu sêmen para
quem quisesse vir,
que soluçaram interminavelmente tentando gargalhar
mas acabaram choramingando atrás de um tabique
de banho turco onde o anjo loiro e nu veio
trespassá-los com sua espada,
que perderam seus garotos amados para as três
megeras do destino, a megera caolha do dólar heterossexual, megera caolha que pisca de
dentro do ventre e a megera caolha que só sabe
sentar sobre sua bunda retalhando os dourados
fios intelectuais do tear do artesão,
que copularam em êxtase insaciável com um garrafa
de cerveja, uma namorada, um maço de cigarros, uma
vela, e caíram na cama e continuaram
pelo assoalho e pelo corredor e terminaram
desmaiando contra a parede com uma visão da
boceta final e acabaram sufocando o derradeiro lampejo da
consciência,
que adoçaram as trepadas de um milhão de garotas
trêmulas ao anoitecer, acordaram de olhos vermelhos
no dia seguinte mesmo assim prontos
para adoçar trepadas na aurora, bundas luminosas
nos celeiros e nus no lago,
que foram transar em Colorado num miríade de
carros roubados à noite, N.C., herói secreto destes
poemas, garanhão e Adônis de Denver – prazer
ao lembrar suas incontáveis trepadas com garotas
em terrenos baldios & pátios dos fundos de
restaurantes de beira de estrada, raquíticas fileiras
de poltronas de cinema, picos de montanha
cavernas com esquálidas garçonetes no
familiar levantar de saias solitário à beira da
estrada & especialmente secretos solipsismos de
mictórios de postos de gasolina & becos da cidade
natal também,
que se apagaram em longos filmes sórdidos, foram
transportados em sonho, acordaram num
Manhattan súbito e conseguiram voltar com uma
Impiedosa ressaca de adegas de Tokay e horror
Dos sonhos de ferro da Terceira Avenida &
Cambalearam até as agências de desemprego,
Que caminharam a noite toda com os sapatos cheios
De sangue pelo cais coberto por montões de
Neve, esperando que uma porta se abrisse no
East River dando para um quarto cheio de vapor e ópio,
Que criaram grandes dramas suicidas nos penhascos
De apartamentos do Huston à luz azul de holoforte
Antiaéreo da luta & suas cabeças receberão
Coroas de louro no esquecimento,
Que comeram o ensopado de cordeiro da imaginação
Ou digeriram o caranguejo do fundo lodoso dos
Rios de Bovery,
Que choraram diante do romance das ruas com seus
Carrinhos de mão cheios de cebola e péssima música,
Que ficaram sentados em caixotes respirando a
escuridão sob a ponte e ergueram-se para construir
clavicórdios em seus sótãos,
que tossiram num sexto andar do Harlem coroando de
chamas sob um céu tuberculoso rodeados pelos
caixotes de laranja da teologia,
que rabiscaram a noite toda deitando e rolando sobre
invocações sublimes que ao amanhecer amarelado
revelaram-se versos de tagarelice sem sentido,
que cozinharam animais apodrecidos, pulmão coração
pé rabo borsht & tortilhas sonhando com
o puro reino vegetal,
que se atiraram sob caminhões de carne
em busca de um ovo,
que jogaram seus relógios do telhado fazendo seu
lance de aposta pela Eternidade fora do Tempo
& despertadores caíram em suas cabeças por
Todos os dias da década seguinte,
Que cortaram seus pulsos sem resultado três vezes
Seguidas, desistiram e foram obrigados a abrir
Lojas de antiguidades onde acharam que estavam
Ficando velhos e choraram,
Que foram queimados vivos em seus inocentes
ternos de flanela em Madison Avenue no meio das
rajadas de versos de chumbo & o estrondo contido
dos batalhões de ferro da moda & os guinchos
de nitroglicerina das bichas da propaganda &
o gás mostarda de sinistros editores inteligentes
ou foram atropelados pelos taxis bêbados
da Realidade Absoluta,
que se jogaram da ponte de Brooklyn, isso realmente
aconteceu, e partiram esquecidos e desconhecidos
para dentro da espectral confusão das ruelas
de sopa & carros de bombeiros de Chinatown,
nem uma cerveja de graça,
que cantaram desesperados nas janelas, jogaram-se
da janela do metrô saltaram no imundo rio
Paissac, pularam nos braços dos negros, choraram
Pela rua afora, dançaram sobre garrafas
Quebradas de vinho descalços arrebentando
Nostálgicos discos de jazz europeu dos anos 30
Na Alemanha, terminaram o whisky e vomitaram
Gemendo no toalete sangrento, lamentações nos
Ouvidos e o sopro de colossais apitos a vapor,
Que mandaram brasa pelas rodovias do passado
Viajando pela solidão da vigília da cadeia de
Gólgota de carro envenenado de cada um ou então
A encarnação do Jazz de Birmingham,
Que guiaram atravessando o país durante setenta e duas
Horas para saber se eu tinha tido uma visão ao se ele tinha
Tido uma visão para descobrir a Eternidade,
Que viajaram para Denver, que morreram em Denver,
Que retornaram a Denver & esperaram em vão,
Que espreitaram Denver & ficaram parados pensando
& solitários em Denver e finalmente partiram
para descobrir o Tempo & agora Denver está
saudosa de seus heróis,
que caíram de joelhos em catedrais sem esperança
rezando por sua salvação e luz e peito até que a
alma iluminasse seu cabelo por um segundo,
que se arrebentassem nas suas mentes na prisão
aguardando impossíveis criminosos de cabeça
dourada e o encanto da realidade em seus corações
que entoavam suaves blues de Alcatraz,
que se recolheram ao México para cultivar um
vício ou às Montanhas Rochosas para o suave
Buda ou Tânger para os garotos do Pacífico Sul
para a locomotiva negra ou Havard para Narciso
para o cemitério de Woodlaw para a coroa
de flores para o túmulo,
que exigiram exames de sanidade mental acusando
o rádio de hipnotismo & foram deixados com sua
loucura & e mãos & um júri suspeito,
que jogaram salada de batata em conferencistas da
Universidade de Nova Iorque sobre Dadaísmo
e em seguida se apresentaram nos degraus de
granito do manicômio com cabeças raspadas e [
fala de arlequim dobre suicídio, exigindo
lobotomia imediata,
e que em lugar disso receberam o vazio concreto da
insulina metrazol choque elétrico hidroterapia
psicoterapia terapia ocupacional pingue-pongue
& amnésia,
Que num protesto sem humor viraram apenas uma
Mesa simbólica de pingue-pongue mergulhando
logo a seguir na catatonia,
Voltando anos depois, realmente calvos exceto por
Uma peruca de sangue e lágrimas e dedos
Para a visível condenação de louco nas celas da
Cidades-manicômio do Leste,
Pilgrim State, Rockland, Greystone, seus corredores
Fétidos, brigando com os ecos da alma, agitando-se
E rolando e balançando no banco de solidão à
Meia-noite dos domínios de mausoléu
Druídico do amor, o sonho da vida um
pesadelo , corpos transformados em pedras
tão pesadas quanto a lua,
com a mãe finalmente ***** e o último livro
fantástico atirado pela janela do cortiço e a última
porta fechada às 4 da madrugada e o último
telefone arremessado contra a parede em
resposta e o último quarto mobiliado esvaziado até
a última peça de mobília mental, uma rosa de papel
amarelo retorcida num cabide de arame do armário
e até mesmo isso imaginário, nada mais
que um bocadinho esperançoso de alucinação –
ah, Carl, enquanto você não estiver a salvo eu não
estarei a salvo e agora você está inteiramente
mergulhado no caldo animal total do tempo –
e que por isso correram pelas ruas geladas obcecadas
por um súbito clarão da alquimia do uso da elipse
do catálogo do metro inviável & do plano vibratório,
que sonharam e abriram brechas encarnadas no
Tempo & Espaço através de imagens justapostas
E capturaram o arcanjo da alma entre 2 imagens
Visuais e reuniram os verbos elementares e
Juntaram o substantivo e o choque da consciência
Saltando numa sensação de Pater Omnipotens
Aeterne Deus,
Para recriar a sintaxe e a medida da pobre prosa
Humana e ficaram parados à sua frente, mudos e
Inteligentes e trêmulos de vergonha, rejeitados
Todavia expondo a alma para conformar-se ao
Ritmo do pensamento em sua cabeça nua e infinita,
O vagabundo louco e Beat angelical no Tempo,
Desconhecido mas mesmo assim deixando aqui
o que houver para ser dito no tempo após a morte,
e se reergueram reencarnados na roupagem
fantasmagórica do jazz no espectro de trompa
dourada da banda musical e fizeram soar o
sofrimento da mente nua da América pelo
amor num grito de saxofone de eli eli lama lama
sabactani que fez com que as cidades tremessem
até seu último rádio,
com o coração absoluto do poema da vida arrancado
de seus corpos bom para comer por mais mil anos

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Impossibilidade?

É neste meu amontoado de letras
Que se encontra a impossibilidade
É o motivo de minha busca eterna
Por este campo de batalhas sujas.

Achei-a jogada em letras formosas
Mesmo sem o calor do toque sutil
Renascida em cada frase libertina
Assim minha impossibilidade chega

O barulho ensurdecedor do metrô anuncia sua chegada
Seca da garoa, ela podia entrar em meu quarto amanhã
Roçar seus seios rijos em minha alma despretensiosa

Minha insaciabilidade de poesia é prosa ao lado dela
Essa brisa soprada da boca tenra da impossibilidade
Bem que podia ser um beijo ou palavras de amor.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

14 Linhas de Não Sei.

A verdade é que desverdadeou
Ou você acha que eu não sei?
Mesmo estando em Abbey Road
Passando o dia em branco

Eu não sobrevivo celularmente
pra que tudo seja sociedade
Eu somente, escrevo, descrevo
Sinceramente, ligo o foda-se

E justamente essa contradição
E o eu largado no meio da rua
que vai sofrer a consequência

Será que esse eu na verdade não é?
Não é? Quem não é quem?
Nem sei ao menos quem foi.

sábado, dezembro 22, 2007

Carlos Drummond de Andrade

Creio que uma das maiores faltas para um brasileiro é não conhecer o nosso gênio: Carlos Drummond de Andrade. Fiquei em dúvida sobre qual poesia colocar, existem tantas. Essa é um clássico, bem conhecida mesmo, mas eu adoro.

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Passagem Das Horas - Álvaro de Campos

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero. [...]

Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei [...]

Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas, [...]

Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.

Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,
Seja uma flor ou uma idéia abstrata,
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo. [...]

Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-me,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente. [...]

Foram dados na minha boca os beijos de todos os encontros,
Acenaram no meu coração os lenços de todas as despedidas,
Todos os chamamentos obscenos de gesto e olhares. [...]

Sim, e o que tenho eu sido, o meu subjetivo universo,
Ó meu sol, meu luar, minhas estrelas, meu momento,
Ó parte externa de mim perdida em labirintos de Deus! [...]

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Em ato o ar é mais leve.

Se me ontem ser uma felicidade fervorosa da chapa
Não vou mais nem ontem, nem amanha ou hojear.
Pois em todos os instantes temos instantes completos
Não devem ser medidos e desvirtuados na exatidão
Por mais que possamos brincar no ato de cada dia
Eu ato o tempo como bem quero e por isso sou ator
Saborear cada atoar com dessemelhança temporal
Em ato fui hoje, serei ontem e sou amanhã sempre.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

William Shakespeare

"Oh! Uma mesa de fogo, que ascendesse
Ao mais luminoso céu da invenção,
Um reino por palco, príncipes a representar
E reis a observar a cena arrebatadora!
Então deveria o guerreiro Henrique, como ele próprio
Assumir o porte de Marte, e a seus pés,
Atrelados como galgos, a fome, a espada e o fogo
Rastejando a pedir emprego. Mas perdoai, gentis auditores
Ao espírito raso e pouco exaltado que ousou
Neste indigno cadafalso apresentar
Tão grandioso tema. Pode esta arena conter
Os vastos campos da França? Podemos nós amontoar
Dentro deste cercado todos os capacetes
Que até o ar assustaram em Azincourt?
Oh, perdoai! Dado que uma figura errada pode,
Em pouco espaço, testemunhar por um milhão,
Deixai que nós, cifras desta enorme conta,
Trabalhemos a força da vossa imaginação.
Supondo que, entre esta cintura de muralhas,
Estão agora confinadas duas poderosas monarquias
Cujas frentes alevantadas e contíguas
O perigoso e estreito oceano separa e divide.
Completai as nossas imperfeições com os vossos pensamentos:
Em mil partes dividi um homem
E criai uma potência imaginária;
Pensai, quando falamos de cavalos, que os vedes
Imprimindo os seus altivos cascos na terra acolhedora;
Pois os vossos pensamentos devem agora ornar os nossos réis,
Levá-los ali e acolá, saltando sobre os tempos,
Mudando as ações de muitos anos
Numa hora de ampulheta; para tal serviço
Admiti-me como Coro desta história;
O qual, à laia de prólogo, pede à vossa caridosa paciência
Que ouça com mansidão e julgue com bondade a nossa peça."

Henrique V

Pra que vou eu tentar falar de teatro, se o mestre já disse tudo?

sexta-feira, novembro 23, 2007

Mario Quintana

Do Amoroso Esquecimento

Eu agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

Continuando minha saga através do delicioso e onírico mundo das poesias, visito este que é um dos meus preferidos, Mario Quintana, é um dos grandes mestres da arte de poetizar. Vindo da minha querida Porto Alegre, cidade que carrego um apego especial e em breve gostaria de passar um tempo por lá, Mario era um jornalista de primeira mão, além de ser considerado um poeta que primava por excelência técnica e bastante profundidade em assuntos bastante simples, Quintana era o mestre da ironia, exemplo maior é seu nome ser grafado sem acento e as ótimas tiradas de humor tão características de sua obra.

Engraçado o fato que este grande poeta foi recusado por três vezes na ABL, e depois tarde demais quando reconhecido seu valor, foi convidado e recusou cordialmente o convite. Da-lhe Quintana. Esse verso é inclusive para aos membros da associação:

Todos esses que aí estão / Atravancando meu caminho / Eles passarão... / Eu passarinho!

Se alguém quer se iniciar na arte do poeta gaúcho um ótimo começo é a livreto "Quintana de Bolso" da editora L&PM, uma edição simpática com um apanhado de poesias por um preço pra lá de camarada, menos de R$10,00.

Viva o mestre.

Os Degraus

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...

Pablo Neruda

El Amor

Pequeña
rosa,
rosa pequeña,
a veces,
diminuta y desnuda,
parece
que en una mano mía
cabes,
que así voy a cerrarte
y a llevarte a mi boca,
pero
de pronto
mis pies tocan tus pies y mi boca tus labios,
has crecido,
suben tus hombros como dos colinas,
tus pechos se pasean por mi pecho,
mi brazo alcanza apenas a rodear la delgada
línea de luna nueva que tiene tu cintura:
en el amor como agua de mar te has desatado:
mido apenas los ojos más extensos del cielo
y me inclino a tu boca para besar la tierra.

Coincidência ou não, daquelas arteiras que só Cronos, o senhor do tempo, consegue aprontar, menos de um dia depois de escrever da musa Cecília Meireles, tive súbita vontade de falar um pouco de Neruda, esse poeta Chileno que domina as palavras como poucos. Talvez a parte mais espantosa dos fatos correlativos seja que Pablo também teve uma morte bastante cedo na família, perdeu a mãe que era professora primária quando tinha um mês de vida. Quem assistiu ao maravilhoso filme "O Carteiro e o Poeta" saiba que é a história de Neruda que é contada, no período em que ele passou em uma ilha na Itália e de fato passou os segredos dos versos a um jovem carteiro, o filme é de uma beleza descomunal, se nunca nem ouviu falar, pare de ler isso aqui agora e vá procura-lo.

Se nunca leu nada de Neruda, eu pessoalmente recomendo que comece por 20 Poemas de Amor e uma Canção Desesperada. É o terceiro livro do chileno e nele agente conhece melhor o lado jovial e vívido que consagrou-o no início de carreira. Era sim o poeta do amor, e também era comunista, escritor, amante de todos seus amigos, das mulheres, dos charutos e dos vinhos. Estar vivendo em Santiago despertava um enfervecer delicioso. Começamos a acompanhar a forma delicada e graciosa que o poeta revela e explorar os mais simples detalhes da vida. Outra opção mais em conta e fácil de encontrar é Cem Sonetos de Amor, que foi publicada pela editora L&PM e custa em média 10 reais. É dessa coleção que tiro este outro maravilhoso poema, que mesmo traduzido não perde a força:

Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio

Eu te amo para começar a amar-te
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado

Meu amor tem duas vidas para amar-te
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.

quinta-feira, novembro 22, 2007

Cecília Meireles

Meu Sonho

Parei as águas do meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar...
Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.
Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
por que insisto em te imaginar ?
Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
e que vens, se o tempo voltar.

Fazia tempo que não me entregava a magia da Cecília, ela tem esse dom fantástico que é fazer arte com a escrita, se não conhecem nada dela, podem procurar o livro Cânticos que é um dos meus preferidos de todos os tempos.

Para os mais desavisados, Cecília foi uma poetisa brasileira, carioca, que sabe como ninguém lidar com temas como a passagem do tempo sem deixar marcas ou sentidos latentes na vida. Em um trecho de texto da própria:

"Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno..."

Somos colocados um pouco mais a par da dura realidade que nossa querida poetisa enfrentou. Duras perdas desde criança, são alicerce fundamental para a obra dela. Como se não bastasse ainda teve o suicídio de seu primeiro marido, com o qual tinha três filhos.

E como diria o mestre Mário Quintana:

"Nem tudo estará perdido
Enquanto nossos lábios não esquecerem teu nome:

Cecília..."

segunda-feira, novembro 12, 2007

Poesia: Alberto Caeiro

Hoje de manhã saí muito cedo

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre --
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Será... de John e Ka.

08/09/2007

John e Ka


Será...


Zona Descordenada Compasso Quadrado

Devaneios Austero

Atenciosamente Avoado Colméia

Seus putos e voraz com canela

No porão de veludo a camélia desde a canela

Revolucionários da Viola Caipira Teadorar, Teodara.

Vários Fogos Com Inside da Galáxia Distante

Adoro Chiar! Inconstitucional

Tintilindar, vergoreiro

Sangue correndo nos copos de neón

ocos e livres, concentra – ação

cordas de aço na claustrofobia, tic-tac...

senhora de si, ódio momentâneo

Bigode malandro e amor descontrolado

Tenebrosos Vilões Sangue! Sandman

Telefones Geniais e Ostra Mongolóide Aula

Laque, Reinventar a alma e chanel número 5.

Cristianismo Agnosticamente Composto

Austeridade, adoro essa palavra. Bonitinho, gay

conforme a norma 337 e 442

formidável cor-de-rosa


"Não quero mais saber de lirismo que não é libertação" Manoel Bandeira.


Karla tu é foda. Amo-te.

terça-feira, outubro 09, 2007

Oh

Oh
Ho!
Ao que fica.
Bravo Capitão
Ho.
Ohh
Exclamai a ti.
O golpe da espada
O gole de vinho
Ao que vai.
O coração fica.

Eis que somos.
O que queremos.
Com ou sem
A porra da alma.
De libertinagem
Se faz vida.
De prisão se faz
arte resposta.
arteira loucura

Ei de me libertar.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Aborto Mental II

Algumas pernas longas em demasiado tem sentimento em falta.
Assim como a modelo magrela se preocupa no desfilar
Nem a cachaça salva algumas situações
Pedras, caco de vidro
Cobre a tua cabeça e sai
Afinal é perigosa a tentação da bondade
Turbilhão e furacão
Corpo jogado feito saco de rabanetes na parede
Sem valor e sem conteúdo
Desespero pra ser o ('um)
Amargura para ser como o ('um) outro.
Palhaço também tem alma
Alma?
E eu?
Clara e a depressão da casca
Viva ao hipocrismo social democrata
A espera do que?
Que merda de lugar é esse?
Abaixo a burguesia! Se não sou como eles, que morram!
Que morram por ter corrido atrás enquanto eu cheirava cola.
Que morra a vaca que me alimenta,
mas que viva o moleque que me da a erva
Erva que me salva da viril tentação do pico
Mansão, menção ao rabo de largatixa
Prostituta no café da manhã
Dublê de mim mesmo
(In)Terra Nostra
Ou império decadente?
Grito de palavras perdidas
por ideias antigos
por amores frouxos
por dinheiro patético
cheiro de carne podre
de sorriso amarelo
gosto de sangue com pimenta
Sim, senhor!
O relatório as 2h.
O emprego.
Antes vivo do que....
vivo?

terça-feira, setembro 04, 2007

Máquina de Escrever Quebrada.

A garrafa de vodca vazia.
O som nostálgico da bossa nova torta do Nouvelle Vague.
Algo tão vago como o olhar das pessoas em um trem rumo a periferia as seis da tarde.
Desespero sempre tem seu papel fundamental no coração dilacerado de um jovem.
Mesmo quando o coração já está cansado demais até para se quebrar.
Quando os sentimentos ficam tão expostos que até o gosto da pra sentir na boca.
Ian disse, o amor vai nos quebrar novamente.
As vezes parece como um rio, agente pode conhecer, pode achar que sempre vai ser isso, mas quando colocamos o pé, agente percebe que o rio nunca é o mesmo.
Não existe um ciclo.
Da mesma forma que o ciclo não tem começo ou fim, o rio não tem ciclo.
E o Amor também não tem.
Nem que seja todos os dias de sua vida, cada amor é um único e você nunca irá vive-lo novamente.
Talvez seja isso que nos leve aos porões boêmicos dessa capital.
Em busca do ar viciado de vida falsa.
A batida afeta o cérebro e a alma.
O pico é a busca pelo novo.
É querer tudo e nada.
É do nada esperar tudo.
E do tudo fazer nada.
Nadar em tudo que é água
Tudo que é ar fazer água.
Fatalidades.
Como uma Charlotte em catarse ou um Drew em euforia.
Viciado na poeira sagrada que resta no final da noite.
Satisfeito com a insignificância que representamos ao todo.
Conformados com a situação do mundo, e nada empolgados em mudar.
A garrafa de vodca continua vazia.
O som se apaga.
A mente voa.
O coração afunda.
Uma segunda feira nunca foi tão azul.
Em pensar que falávamos de sonhos.
Aonde estamos?
Um sorriso de canto denuncia que a dança salva?
Você dançaria comigo?
Uma História Sem Fim.
Com o começo fatal do nascimento.
Nascimento de uma morte anunciada.
Seria este o meio?
Como você se sente?
Eu estou ótimo