sexta-feira, novembro 23, 2007

Pablo Neruda

El Amor

Pequeña
rosa,
rosa pequeña,
a veces,
diminuta y desnuda,
parece
que en una mano mía
cabes,
que así voy a cerrarte
y a llevarte a mi boca,
pero
de pronto
mis pies tocan tus pies y mi boca tus labios,
has crecido,
suben tus hombros como dos colinas,
tus pechos se pasean por mi pecho,
mi brazo alcanza apenas a rodear la delgada
línea de luna nueva que tiene tu cintura:
en el amor como agua de mar te has desatado:
mido apenas los ojos más extensos del cielo
y me inclino a tu boca para besar la tierra.

Coincidência ou não, daquelas arteiras que só Cronos, o senhor do tempo, consegue aprontar, menos de um dia depois de escrever da musa Cecília Meireles, tive súbita vontade de falar um pouco de Neruda, esse poeta Chileno que domina as palavras como poucos. Talvez a parte mais espantosa dos fatos correlativos seja que Pablo também teve uma morte bastante cedo na família, perdeu a mãe que era professora primária quando tinha um mês de vida. Quem assistiu ao maravilhoso filme "O Carteiro e o Poeta" saiba que é a história de Neruda que é contada, no período em que ele passou em uma ilha na Itália e de fato passou os segredos dos versos a um jovem carteiro, o filme é de uma beleza descomunal, se nunca nem ouviu falar, pare de ler isso aqui agora e vá procura-lo.

Se nunca leu nada de Neruda, eu pessoalmente recomendo que comece por 20 Poemas de Amor e uma Canção Desesperada. É o terceiro livro do chileno e nele agente conhece melhor o lado jovial e vívido que consagrou-o no início de carreira. Era sim o poeta do amor, e também era comunista, escritor, amante de todos seus amigos, das mulheres, dos charutos e dos vinhos. Estar vivendo em Santiago despertava um enfervecer delicioso. Começamos a acompanhar a forma delicada e graciosa que o poeta revela e explorar os mais simples detalhes da vida. Outra opção mais em conta e fácil de encontrar é Cem Sonetos de Amor, que foi publicada pela editora L&PM e custa em média 10 reais. É dessa coleção que tiro este outro maravilhoso poema, que mesmo traduzido não perde a força:

Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio

Eu te amo para começar a amar-te
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado

Meu amor tem duas vidas para amar-te
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.

Um comentário:

Arlindo Debois disse...

Olá aorei o texto sobre Pablo Neruda.
Este é um pelo poema dele, chama-se TUS PIES:
Cuando no puedo mirar tu cara
miro tus pies.

Tus pies de hueso arqueado,
tus pequeños pies duros.

Yo sé que te sostienen,
y que tu dulce peso
sobre ellos se levanta.

Tu cintura y tus pechos,
la duplicada púrpura de tus pezones,
la caja de tus ojos que recién han volado,
tu ancha boca de fruta,
tu cabellera roja,
pequeña torre mía.

Pero no amo tus pies
sino porque anduvieron
sobre la tierra y sobre
el viento y sobre el agua,
hasta que me encontraron.