quinta-feira, outubro 04, 2007

Cidade dos Sonhos - Mulholland Dr. (2001)

Direção – David Lynch (História Real, Inland Empire, Estrada Perdida e Veludo Azul)

“Apesar que agora agente acha poesia até em caixas vazias de hamburger.”

Se você não assistiu e deseja ter a experiência mais longe de lucida possível saiba apenas: É uma história de amor desenvolvida na cidade dos sonhos. Isso é mais do que suficiente para instigar a curiosidade do que raios vocês estará vendo.

Esse é talvez o maior filme que eu tenha visto em tese no lançamento, mesmo que tardio, em uma sala de cinema. Veio antes do advento da Internet, quando se tinha que correr ao circuito alternativo de cinemas para poder assistir algo de um Lynch ou de um Amoldóvar. E talvez a experiência de ter assistido sem esperar nada, em uma sala de cinema com sua lotação pela metade colaborou e muito. Pare de ler agora e vá assistir, se continuar posso estragar tudo.

“Shhhh no hay banda”

Além de um filme, Cidade dos Sonhos é um atentado contra sua própria sanidade. Naomi Watts (em uma atuação impecável) é uma jovem atriz canadense que deseja tentar a sorte em Hollywood, típica garota inocente que acredita que quem corre realmente com empenho atrás de seus sonhos sempre chega lá. As coisas começam a se complicar quando uma atraente mulher chega, sem memória após um terrível acidente de carro, a casa da personagem de Naomi. As duas se identificam e resolvem correr atrás das respostas desta enigmática amnésia.

Porém nesse meio tempo somos apresentados a diversas outras histórias paralelas. Um assassino que acaba por causa muita bagunça para conseguir um caderninho de números. Um jovem diretor de cinema que se depara com uma máfia que comanda todos os filmes de Hollywood. E tudo se mistura de forma cruel, aos poucos realidade e imaginário começam a se mesclar, a relação das duas mulheres se torna sexual e a espiral começa a se tornar mais violenta e abruptamente perigosa. Tudo explode quando uma pequena caixa de Pandora é aberta e então temos uma quebra total do que imaginamos ser realidade. O que é real? Onde estamos?

Chega ser engraçado como Lynch brinca conosco e nos deixa cegos e surdos em meio a tanta informação que pode ou não ser real. A própria cenografia e efeitos são forçadas para o artificial ou para o mais vívido bagunçando os sentidos de quem assiste.

Sou da corrente dos que acreditam que nem mesmo Lynch tem um sentido concreto para todos os elementos do filme. Alguns aspectos ficam bastante subjetivos e nos entregam diversas possibilidades. O filme pode ser um retrato cru do lado mais sombrio dos relacionamentos humanos; a maneira sórdida que a condição humana é submetida para manter a si mesma integra. Essa é uma das várias interpretações que se pode arrancar deste intricado quebra cabeças moderno.

Um fato é que esse filme é uma obra de arte, digno de todas as honras que se pode entregar a algo tão bem feito, com tanto sentido e ao mesmo tempo com nenhum sentido. David Lynch é de longe um dos melhores diretores de cinema em atualidade. Inland Empire seu mais novo filme segue na mesma linha, em breve escrevo algo a respeito.

“É tudo uma ilusão... there is no band.”



Llorando por ti! (não assista se não quiser estragar o filme)

Um comentário:

Fernanda Mafra disse...

eu sou muito retardada pra entender esse filme! tem umas coisas que eu achei muito nada a ver, tipo o monstro que aparece na lanchonete. oO

a mim cabe o papel de entender os fãs do lynch e não entender os filmes do lynch :PP

beijones