sexta-feira, setembro 21, 2007

Tropa de Elite (2007)

Diretor - José Padilha (do interessante Ônibus 174 e roteirista e produtor de Estamira)

O maior sucesso da pirataria nacional dos últimos anos estreia hoje nos cinemas. Tropa de Elite, filme nacional sobre o esquadrão especial da polícia carioca, já é conhecido do público a bastante tempo quando vazou uma cópia em perfeito estado e começou a circular pelo comércio alternativo brasileiro. Como um viciado em cinema não poderia deixar de fazer já conferi e trago aqui uma pequena crítica.

O cinema nacional em geral é algo que assusta tamanho a falta de regularidade em títulos de primeira linha. Não diferente do resto do mundo, creio que em qualquer lugar existam filmes bons e ruins, porém no nosso caso o que mais me assusta são erros de base, é uma falta de conceito geral que assombra grande parte dos cineastas. Padilha não diferente do que muitos, cometeu uma série de erros triviais e nos trás um filme apenas razoável. Admito que não assisti o Ônibus 174, porém já estou providenciando, agora o documentário Estamira que teve colaboração direta foi o que mais me empolgou a assistir este filme. Se em Estamira estava um dos melhores documentários que eu já vi, parece que nada foi aprendido e o cineasta deu alguns passos para trás.

O grande problema é a falta de um roteiro de verdade, falta dos atores fazerem um trabalho de criar todo aquele novo universo a ser filmado. Com exceção, talvez, do Wagner Moura que demonstra um trabalho mais detalhado, com algumas idéias interessantes e um claro desenvolvimento, o resto é um monte de caricaturas jogadas a esmo em uma trama bastante simples, que busca uma certa inovação na maneira de ser contada, mas apenas consegue cair em maiores clichês.

Não que tudo esteja perdido, admito que me interessei em saber a história do início ao fim e me diverti por diversos momentos, porém a falta de um toque de arte transforma tudo em quase algo documental ou assim podemos chamar um quadro especial do fantástico. Depois de belíssimas produções como Cão sem Dono, fica difícil engolir algo assim. Cidade de Deus já ostenta o título de Cult afinal lançou diversas possibilidades que deviam ser exploradas de forma mais delicada, e não como uma referência vazia. Aos que procuram assistir algo nacional, assistam 'Santiago' (leiam a postagem do Aiton) ou aguardem o filme sobre o livro da Clarah Averbuck, 'Nome Próprio'.

Um comentário:

Sandrinha disse...

Concordo com você e acredito ser a sua crítica uma das melhores que li sobre o filme. Parabéns pelo blog.