terça-feira, agosto 11, 2009

New York - Villages – Charme e vida.

Cai um tanto quanto torto da cama, a cabeça flutuava perdida entre a terra dos sonhos e meu velho hotel em Tribeca. Com uma tosse chata peguei um resto de cerveja já amanhecida e quente, o gole seco me serviu de despertador. Observei as pessoas se acotovelando pela saída do metrô, o sol forte era um verdadeiro porre. Depois de vestir as primeiras peças de roupa que achei, sai e me enfiei no mar de gente que escorria em direção ao metrô.

A grande maçã iria me engolir mais, e hoje era hora de conhecer os Villages e quem sabe me aventurar na Midtown. Na própria estação, suja como a Central do Brasil, comprei um Bagel e logo estava sacudindo no labirinto de túneis que correm por debaixo da cidade. Desci logo ali na 1st Ave e fiz um passeio agradável pelo East Village.

Os parques, as pessoas correndo e esquecendo a vida, os veteranos de guerra:

“eu lutei por você no Vietnã, tem um centavo sobrando?”

Tudo coexistindo com uma harmonia delicada. O Tompkins Square Park é pequeno, extremamente arborizado e melancólico, acho que foi esquecido ali, os poucos visitantes são outsiders. Me senti bem ali, a essa altura com sede, tive que buscar mais uma cerveja e continuar o passeio.

Depois de arranjar uma gelada na St. Marks Street dobrei a 4th Av e segui até a Union Square, absorto pelo movimento, acabei caindo em uma feira de rua simpática, logo ali na University St, e foi ali que me perdi por horas em barracas de CDs usados e novos. Fiquei literalmente horas vendo CDs do Dylan, da Billie, do Bowie, do Velvet, horas perdido.

O melhor estava guardado para alguns passos a mais ao sul. Ao chegar na Washington Square simplesmente desabei. Jazz de ótima qualidade, ao vivo ali na praça, esqueci da vida e sentei, curtindo as dores nas minhas pernas.

Ainda tive tempo de esfriar os pés na fonte central da praça, e depois passando pelo grande arco, mais uma surpresa, um coral de gospel, ali, fazendo valer cada suor derramado na caminhada. Fodido.

A 6th Ave se transformou na minha trilha rumo ao norte da ilha. Caminhei com o espírito renovado até a 23rd street e dobrei rumo a 5th Ave, com fome já pensava em me descolar um hambúrguer e tomar mais uma cerveja. E aos poucos começava a encarar a NY frenética da Midtown.

New York - Lower Manhatan – O começo

Lower Manhantan

Se começar logo cedo, pegue uma rua menos balada como a Church Street e caminhe sem pressa. Comece ali pela altura da Canal St. e vá sentido downtown. Aproveite o clima, comece a entender o fervor da cidade. Você vai chegar aonde outrora ficava o imponente World Trade Center, hoje um imenso jardim de obras que ainda atraí um bocado de turistas.

Dobre na Vessel St. acompanhando as obras e sentido rio Hudson, logo mais você chegará no World Financial Center, e se for horário de almoço, procuro pelo PJ Clark’s sente-se no balcão, peça uma boa cerveja (eu recomendo Blue Moon) e relaxe, em breve provará um dos melhores hambúrgueres da cidade.

Após a refeição, procure o Battery Park City e siga por sua bela margem. Um dos cartões postais da cidade logo estará a vista, a estátua da liberdade, e é logo no final do parque de onde partem as balsas para as visitas.

Na saída do parque é possível deslumbrar o começo da Broadway. Estique as pernas e prepare-se para uma longa caminhada, Passando pelo famoso búfalo de bronze, a Wall St, diversas igrejas e por fim o City Hall. Aqui é possível se desviar pelo parque e seguir rumo a ponte do Broklin. São dois quilômetros de uma caminhada agradável, com uma das mais belas vistas da cidade.

Do outro lado, vale um passeio pela região abaixo da ponte. A Water Street, por exemplo, abriga alguns cafés estilo europeu e os deliciosos chocolates de Jaques Torres. Na volta, pegue o metrô ali perto da Washington Bridge, ou melhor ainda, caminhe pela ponte vizinha e acabe tendo vistas privilegiadas do bairro chinês ao cruzar o rio.

Caminhe, sentido uptown, como quem não quer nada pela Bowery e observe o movimento frenético desse bairro que muito lembra a nossa velha 25 de março em São Paulo. Na altura da Delancey dobre a direita e descubra uma nova faceta da cidade. O lower east side é um bairro alternativo. Casas de show, restaurantes em buracos inimagináveis, e bastante gente na rua. Aproveite e pare para um cupcake na Babycakes NYC (248 Broome St.)

Eu sei que deve estar cansado, mas force um pouco mais as pernas e não deixe passar a oportunidade de caminhar pela Houston sentido Soho. Tome um café na Lafayet Street. É um bairro universitário, muitas opções para beber ou comer, por ali ficam os cinemas mais alternativos e na 4th street a renomada loja de música Other Music.

Se você teve fôlego para tudo isso, relaxe por essas ruas, descanse e pegue o metrô para seu hotel. Lembre-se que na próxima etapa, começamos da 4th street e vamos conhecer os Villages, Chelsea, e a Midtown que é onde tudo acontece.

New York fucking city.

Estou em um trem, deixando Nova Iorque para trás e um pedaço do meu coração com ela. A cidade simplesmente me engoliu, cheguei e foram pouco mais de dois dias aonde conheci praticamente tudo ao sul dos dois grandes museus.

Enquanto o trem serpenteia vagaroso pelos subúrbios várias coisas me surgem n a cabeça. Minha garota lá em São Paulo, meu pai em seu fim de vida, minha mãe firme e fiel ao lado dele. Tudo fica distorcido como o meu reflexo na água da fonte após minha moeda mergulhar na forma de um desejo.

Eu não sei se consigo falar de NY sem ser emotivo demais, de certa forma me senti em casa, não precisei de mapas, não precisei de guias, nem de planos. Planos eu até tinha, partindo de lower manhantan conhecer tudo que fosse possível.

Agora, algumas boas milhas de distância já me separam da grande maçã, observo sua imponência se tornar cada vez menor no horizonte. Não foi possível ir até o Apollo Theater, ou outros inúmeros lugares, haverá uma próxima vez, e com certeza minha garota, minha mulher estará ao meu lado.

“I’m going to San Francisco, where the Sun keeps shining /
but for sure I left my heart on New York”

segunda-feira, agosto 10, 2009

Top - New York

Top 5 – NY

1 - Washington Square Park – Música ao vivo e uma fonte maravilhosa.
2 – Battery Park City – Um lugar agradável, comida muito boa perto (PJ Clarks) e sempre tem algo acontecendo.
3 – MET – Museu no central park, tem tudo. Egito, Roma,Grécia, Picasso, Van Gogh, só para ficar em alguns.
4 – East Village – Lojas alternativas, CDs que você nunca imaginou, sebos de livro, lugares absurdos pra tomar ou comer algo.
5 – Dakota Bulding – Pode parecer bobo, mas é de soluçar lágrimas ver aonde Lennon foi assassinado, e em seguida, prestar homenagem no Strawberry Fields.

Top 5 – CDs comprados

1 – Nick Drake – Bryter Layter- $5 na feira. Mais hein?
2 – The La’s - The La’s - $5 na feira. Duas vezes: Mais hein?
3 – Radiohead – In Rainbows
4 – Grizzly Bears – Veckatimest
5 – MGMT – Oracular Spectacular

domingo, agosto 09, 2009

Duas coisas que SP ganha bonito de NY.

1 – Comida – Ok, com certeza alguém vai me tacar predas, mas é verdade, nossa pizza é melhor, nossos lanches são melhores e até nosso sushi é melhor. Mas não estou falando mal, se SP é a número 1 em gastronomia, NY está em segundo.

2 – Cinema – Perguntando pelo reduto dos filmes independentes e europeus me indicaram o melhor cinema da cidade, que está anos luz do nosso velho reduto na paulista.

De resto, o lugar é foda demais, a cidade te engole, você tenta e quanto mais tenta mais vê que não chegou a uma lasca do que ela tem a oferecer, como vai ser foda elaborar todas as coisas boas, só dou esse aperitivo que é o que SP ganha de NY.

sábado, agosto 08, 2009

EUA - 0.1

27 mil pés de atitude, lá em cima, com o tempo horrível e o avião sacudindo demais eu achei que ia morrer. Era caminho de Minnesota para Nova Iorque, os dias ali na pacata cidade de Minneapolis tinham sido curtos e bucólicos. Me perdia olhando para o rio Mississipi, logo ali, onde ele nasce e ainda é extremamente limpo. Pensava em como seria bom estar no mesmo lugar em companhia especial que ficara no Brasil.
Tomava uma ou outra cerveja, por hora, Blue Moon a minha favorita. E caminhando a esmo por uma pequena praça me deparei com uma banda tocando, sol, pessoas sentadas, crianças brincando, e porra, é disso que eu sinto falta. É verdade, os americanos, venderam um sonho, the american way of life, porém eles não querem empurrar uma besteira qualquer, eles simplesmente em alguns aspectos sabem muito bem o que é viver de forma boa, você sua família e seus amigos.
Fiquei realmente meio emotivo enquanto aquela lata velha se debatia nos céus e ameaçava mergulhar em uma última e vertiginosa queda. Pensei várias vezes que ainda quero eu, minha garota, e um lugar assim.
O avião fez seu pouso, como esperado, em La Guardia, um aeroporto para vôos locais em NYC. E logo que coloquei o pé pra fora, pude sentir o ritmo pulsante da capital do mundo. Tomei o Q33 ali mesmo na frente do aeroporto, joguei alguns cents numa espécie de funil e a luz verde. Sentei ali perto da porta e comecei a ver uma cidade com casas bonitas, ruas limpas, mas ainda não era NYC. Peguei o metrô no ponto final e sacudi naquele clássico tantas vezes representado no cinema. Sem muita noção das coisas, saltei na Canal St. e quando alcancei as ruas estava no meio do que vemos todos os dias na TV. Prédios de entortar pescoço, os taxis amarelos e as pessoas andando apressadas, com grandes copos de café na mão. Mais uma vez um aperto no peito, eu ali, e minha garota longe, porém sem muito tempo para pensar, avistei meu hotel do outro lado da rua. E então comecei meu primeiro dia na capital do mundo...

quinta-feira, julho 23, 2009

Minha garganta tá chiando. Deixei a tv ligada porque caiu um puta silêncio por aqui. Me deu uma puta vontade de beber conhaque ou uísque como eu bebia. Ficar um pouco em silêncio, sem dever nada a ninguém. Esse frio tá convidativo, yeah baby, ando meio estático. Claro, tem muita coisa que tá dando certo e que quero muito, mas de resto, não sei se anseio por algo além. At every occasion one brilliant day funeral... peço tanto o inverno que ele veio forte hoje de noite. E olha que tá uma puta lua vacilante sobre a paulista, minha garganta chiando e a música que tá entalada aqui dentro que não sai. Deve ser o frio.

segunda-feira, julho 20, 2009

Nova música do Radiohead

Não sei, assim só enche o saco hahaha mas radiohead é radiohead melhor que 99% das coisas atuais.

terça-feira, julho 14, 2009

Tava curtindo o som do Reed. Entrando no clima de um cara que representa New York da melhor forma possível. Baby, you are so vicious! Cacete e as madrugadas que me comem vivo, quando eu sei que ela está por perto eu durmo feito pedra, agora essa saudade mata a ferro. Mas voltando a música, fiquei imaginando, essa baby do Lou, devia ser putinha punky, junky, tatuada, trespassada por alfinetes, suja, depravada e promíscua. Não sendo machista, mas a música tem esse clima. E só assim pra ser esse puta rock fodido. É muitos tentam, e o homem com três acordes detona.

segunda-feira, julho 13, 2009

Ouvindo a Billie cantar This aching heart of mine is singing / Lover come back to me no meu computador gago. Estou levemente blue, uma puta saudade da minha garota. Na pia do banheiro, a torneira pinga e lá fora um vento silencioso esfria a madrugada. É, soft madrugada.

domingo, julho 12, 2009

Perplexo. Tenho algumas coisas a falar, e não sei direito por onde começar. Estava discutindo possíveis lugares para tocar com o pessoal da banda, e eles falaram, você é que costuma ir a baladas, você que sabe dos esquemas. Parei e fiquei assim, perplexo, não querendo parecer velho, mas na minha época, era eu, o Uidol e o Vítor, as vezes o Alain ou o Marcelo. Nós ficávamos bêbados, vez ou outra um era encontrado do lado de fora deitado na sargeta, conhecíamos meio mundo, e sempre era do caralho. Hoje eu realmente não sei mais o que rola. Passei na porta de algumas baladas, e filas, pessoas estranhas e tudo parecendo destoado. Se alguém souber de um lugar que uma banda de Indie Rock possa tocar, me avise por favor, porque vou começar a caçar. Indie Rock, não fui eu que inventei isso, pra mim, nossa banda toca Rock, mas como eu prefiro evitar quem ainda vive de Raul e Born To Be Wild, acho que é válido uma abordagem mais atual. E bom, em menos de uma semana, acredito que teremos em mãos o nosso EP. Como um grande apoiador da música livre (mp3 de tudo pra todos), estará disponível aqui, acolá e em todos os lugares possíveis.

quinta-feira, julho 09, 2009

Dia treze eu e os caras entramos no estúdio. Vamos gravar seis músicas nossas. Quem me conhece sabe o quanto isso significa pra mim. Vai ser do caralho, vamos sentar lá e fazer o melhor. Mas o que eu não consigo tirar da cabeça é a atmosfera que eu já antevejo. O ambiente neblinado com cigarro e maconha. As latinhas de cerveja se empilhando pelos cantos e toda atenção ali, no som. Posso antever a voz amarga do Edu, aleitada em uísque barato, pouco sono e angústia no peito. Se tem uma coisa que rola e é foda é essa química, esse momento único que é botar uma música sua num pedaço de plástico. Agora na verdade isso é romantismo, na real é jogar sua música ali, num arquivo, para qualquer um escutar.

Pela música, pelas vozes, pelo clima sério de fazer um trabalho bom, imagino que vai ser um grande passo para nós. Acho que lá pelo fim dos cinco dias de gravação, estaremos os quatro sentados, uma lata gelada na mão, na boca uma tensão quase imperceptível disfarçada pela cerveja, nos ouvidos o prazer de ouvir nosso som soando como sempre devia ter soado.

quinta-feira, julho 02, 2009

Achei que depois de velho, ou algo assim, eu romântico assumido teria aprendido. Mas não, não mesmo. Coração burro, nasce tapado e morre cego. É isso aí, eu prometi, jurei de pé juntos que nunca mais me apaixonaria. Amaldiçoei o amor. Salivei feito porco raivoso quando me falavam disso. E hoje, ela me faz ficar cada vez mais perdidamente apaixonado por qualquer bobeira que faz. Seja um beijo despercebido ou carinho despretensioso, tudo me faz ficar cada vez mais perdidamente apaixonado.
Eu me enrolo nos lençóis desejando que fosse em seu corpo. Eu faço a barba, ostentando orgulho no espelho sabendo que vou vê-la. E na verdade, eu nem sei como tudo começou. É continuo sendo eu. Só que dessa vez o cupido vesgo por sorte acertou os dois.

…

Agora preciso desabafar um medo tenebroso que me assola. Cacete, em menos de um mês, pego um avião para os Estados Unidos, terra do Fante, do Salinger, do Dylan e do Velvet. Mas uma angústia do cão não deixa de me foder. To perdidinho, entalado até a garganta, eu não confio nada nessas latas voadoras, deixo claro. Se pudesse, iria de carro.

quarta-feira, julho 01, 2009

Em janeiro agora eu e a Fer fizemos uma viagem pela Argentina e Chile. Muito ainda está colado na memória, e eu sempre me prometi escrever algo mais detalhado sobre a viagem. Pena que muito do que tenho prometido para o blog esteja indo para no limbo. Porém, é quase impossível, todos os dias me vem cenas dessa viagem foda. Desses deliciosos 26 dias a esmo, perdidos ao sul de nosso continente. Não quero botar ordem, começar do começo e terminar no fim, quero brincar com as lembranças.

A idéia veio no meio de 2008, planos, roteiros, pesquisa de preço, desejos e por fim escorregamos para o Sul. Por um acaso financeiro, qualquer fosse a viagem seria mais barata indo para Buenos Aires, e de lá dar o rumo desejado. A Fer já conhecia a capital portenha, eu não, então resolvemos resumir em alguns dias e depois partir para o vazio do interior argentino.

A capital argentina tem seu charme, é impossível esquecer nossa primeira refeição, um bife ancho com papas fritas genial. Foi de lamber os lábios, em plena avenida nove julho, próximo ao albergue milhouse, até hoje sinto vontade de voltar lá e repetir a dose. Mas dando um pequeno passo atrás, vale lembrar o quanto de grana você perder se não for esperto no aeroporto. De taxi ou ônibus especial sai quase cem pesos. O segredo é caminhar um pouquinho, ali próximo da agência grande do banco nação, e esperar o circular da cidade. Pouco mais de três pesos e uma hora e meia depois você desce no centro de Buenos Aires, mais demorado, porém os valores são descabíveis de comparação.

Ficamos em um hotelzinho ali no centro mesmo. El Argentino engraçado, ele parecia congelado no tempo, tudo tinha um ar do passado, era aconchegante, ali no coração de Buenos Aires, passeamos, rodamos tudo que tem que de especial, não sei exatamente o porque, mas a cidade estava completamente deserta, digna de um filme de catástrofe. Tivemos momentos lindos, e outros tristes, foi um momento gostoso, sentir o vento na cara do que estava por vir.

A verdade é que nosso roteiro foi totalmente feito no improviso. Tínhamos um plano claro de rumar ao sul, as passagens estavam caras demais, então fomos rumo a Santiago. Nas primeiras noite sofri, no ônibus passei um frio de travar os dentes. A nossa primeira parada era Córdoba, e foi um turismo bem fast food, chegamos pela manhã e partimos pela noite. A cidade é linda, e lembro claramente que tem um meio fio mais alto do que o normal, em um dia inteiro batendo perna, isso faz uma diferença absurda. A cidade tem um charme meio esquecido, do tipo uma roda gigante abandonada, fazia um calor de derreter o cérebro. Dali o próximo destino seria Mendonça. E depois Chile. Muito aconteceu... viajar é foda, escrevi tudo isso só pelo gostinho de relembrar e para deitar a cabeça e quem sabe sonhar com uma próxima...

sexta-feira, junho 26, 2009

don't stop until you get enough