Está uma puta monotonia, de fundo, só o barulho do ar. Mecânico, chato, constante. Um burburinho constante enche o ar. Meu dente está me matando. A luz azulada da tela do computador se perde no ambiente pastiche do escritório. Minha cabeça tá longe, provavelmente perdida em alguma viela na Espanha. Não consigo me concentrar como deveria. Ou o dente lateja ou a cadeira engasga em um rangido de arrepiar a espinha. Quando a mente se desliga por um tempo, imagino um passeio sem proposito, eu e minha garota, mãos dadas na Europa. Minha perna não para quieto, bato ela sem interesse ao som de um blues esquecido. Sinto uma puta falta de escrever aqui, mas tem tantas idéias, tanta vida, que as palavras faltam. Não sei se é a falta de estar por baixo. Isso é passado, não tenho mais o que lamentar. Talvez seja a inquietude de estar mudando. Mas enfim, as palavras não vem. Eu quero com todas as forças essa vida que estou lutando para ter. Eu já perdi o vício bom de beber, quem me conhece das antigas nem acreditar acredita. Eu estou em transição. Talvez uma longa e constante transição para um tão almejado estado de paz alinhada ao corpo dela. Mas quem vai saber? Sei que quero tentar escrever mais por aqui. Sei que quero gravar minha banda. Sei que quero tocar com minha banda por aí. Sei que a Europa me chama. Sei que vou para Nova Iorque em pouco mais de um mês. Sei que amo minha garota e quero nossa casa. Sei que meu dente está latejando a ponto de explodir. Tantas coisas, que não consigo cuspir no papel. Então, vou tentar manter isso da forma mais clara. Quero voltar pra cá, quero escrever, quero tudo. No meio tempo, vamos vivendo esse sonho que se torna mais gostoso a cada dia. Obrigado garota, grande parte é culpa sua. O resto é acaso.
terça-feira, junho 23, 2009
sábado, junho 20, 2009
Apenas o Fim - Cinema Nacional.
Apenas o fim. Não é nada novo, porém inova na mesmice do cinema nacional. A formula já tinha sido aproveitada algumas dezenas de vezes no passado. Mesmo a edição com flashes em preto e branco, não é nada novo. Mas fiquei com o filme na cabeça, batendo em algum neurônio retardado algo que eu não conseguia compreender. Caiu a ficha durante o sono. O filme é puramente humano, não é filme brasileiro feito pra gringo. São dois seres humanos passando por uma situação que todos passamos e tendo que lidar com aquilo, na frente da câmera.
Não é o oprimido da favela tendo que roubar pra sobreviver, muito menos um casal global fazendo palhaçadas para ganhar dinheiro. É um filme que podia ser eu, podia ser você, podia ser qualquer um. Impossível não comparar com Antes do Amanhecer ou de sua sequência, ou mesmo de momentos afiados do Woody Allen, é tudo isso mesmo, e mais um pouco.
Não preciso falar mais do que isso. Um casal discutindo apenas o fim do relacionamento. Simples assim, tocante, com uma trilha sonora boa, o tempo certo de filme, a locação de fazer inveja a cidades estrangeiras, tudo no lugar, como devia ser. Um puta filme. 
quarta-feira, junho 10, 2009
sábado, maio 30, 2009
Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios
Tenho lido muito menos do que eu gostaria. De certa forma, estou meio tomado por diversas atividades. Mas cavuquei um tempinho para escrever sobre esse livro.
“O amor é sexualmente transmissível.”
É difícil falar, eu demorei pra ler, mastiguei quase que em câmera lenta. Um romance sobre o amor. Não um romance que envolve amor, e sim um romance sobre o amor. História comum, ordinária. Chega a ser engraçado, tudo no livro é extremamente sútil. Nada escancarado. Aos poucos você está mergulhado nessa tênue história que envolve um fotógrafo apático, um pastor fervoroso e uma ex puta completamente maluca. E essa mulher, sensual ao extremo, capaz de curvar o mundo aos pés dela. Ela cria um redemoinho numa pequena cidade no interior do Pará.
Não existe certo, não existe errado. Nem mesmo linearidade na estória. É tudo extremamente fluído. Você se perde nos pequenos causos desses personagens. Inclusive se perde ao ponto de não saber o que é ficção e o que foi puxado da realidade. O livro funde-se com a vida real de uma forma impressionante. Sexo, suor, fluídos, porra, sangue e lágrima, tudo ali transborda de forma crível.
Pra quem não conhece. Aquino é um jornalista, repórter e roteirista dos bons. Escreveu “O Invasor” que acabou virando filme. É literatura brasileira contemporânea de altíssimo nível.
É de matar, mas frases como essa, ganham o livro:
"Falamos, falamos, falamos. E mesmo assim faltou dizer tanta coisa. E escutar também. Ela nunca disse que me amava. Jamais ouvi de seus lindos lábios a sentença que pronunciei algumas vezes."
Fascinante.
terça-feira, maio 12, 2009
Está um puta calor no Rio. O quarto de hotel abafado, decadente ao máximo, decadente como o Perdido na Tradução. Faz tempo que não sento e abro as tripas em algumas palavras. Faz um tempo que só corro. Tem muita coisa caótica acontecendo e por isso mesmo tenho me sentido meio anestesiado. Hoje eu sai, fui até Copacabana e não senti nada. É foda não sentir nada, porque o nada sempre vem acompanhado de mais nada. Tomei uma cerveja demorada olhando a mesma praia que encanta tanta gente. E não conseguia dizer se era o sol espalhado no mar, se era o pé enterrado na areia ou ainda se era o total deslocamento de saber que não faço a menor parte deste lugar.
Eu não quero falar hoje do que está bom na minha vida. Muita coisa está bom. Muita coisa está realmente muito bom. Seria me repetir, seria desgastar o que tenho de mais precioso. Hoje o assunto não é ela. Dela tenho o prazer de saber que o futuro nos reserva muita felicidade. Quero falar hoje deste espaço abandonado. Tenho estado realmente muito pouco por aqui. Ou estou mergulhado de cabeça nesse melhor romance da minha vida, ou estou na minha banda, ou ainda trabalhando, enfim raramente estou comigo mesmo. Raramente encontro tempo pra sentar, eu e eu mesmo, e pensar em todos os pormenores.
Queria escrever mais, mas por hora a fonte tem drenado. Alguma hora eu acho o fio condutor novamente. Essa delicadeza nem sempre funciona. Mesmo aqui, sozinho nessa cidade, não tenho a inspiração necessária pra falar de tudo que gostaria. Apenas pra pedir ao destino, não mude nada na minha vida, ela está perfeita como está.
sexta-feira, abril 24, 2009
Minha banda.
Show da banda George! (http://www.myspace.com/georgeband)
Entrada Franca
Dia 9 de Maio.
Fã Conveniências,
Av. dos Bandeirantes, 4050, ao lado do Posto Shell, junto ao acesso para o aeroporto Congonhas
Fone (11) 9139-2644
horário do show 22:00 h
A Fã é um conceito diferente, + que conveniências, na hora do show, viramos um boteco com porçoes maravilhosas e sanduiches e muita cerveja
domingo, abril 05, 2009
Esse fim de semana a minha garota e eu assistimos um filme metido a independente. Cinema arte. Não digo que é por isso que ela seja minha garota, mas sim porque ela entendeu tudo. Arte rasa, e sentimento vazio. Ela sempre entende tudo. Pois é.
Passado alguns anos já, depois que superei a minha fase bêbada, e que agora tento forçar um cantinho meu, de verdade, nesse mundo, é justamente ela que me dá a força necessária. Eu sou muito loucamente apaixonado pra caralho pela garota. Tenho trabalhado, e agora de uma forma muito mais séria do que antes. Acho que até meu rancor e senhor de poucos amigos tem ficado no passado. Eu acho que ela me carregou para um cantinho mais ensolarado da cidade. Tive uma tarde foda com ela ontem. Engraçado que lembro tudo sem som. Estávamos no metrô da consolação, ela chegou num vestidinho preto que a deixa sexy pra caramba, eu lhe dei o livro perdido da Clarah, ela pareceu curtir pra caralho. Dentro escrevi uma carta, ou algo como isso, é foda escrever pra quem a gente gosta. Depois lembro de um braço perdido na efervescente paulista. Ali, logo numa ruazinha menor, a 20 metros da avenida gritante. Lembro da boca dela escorrendo na minha durante o filme, e lembro do nosso caminhar abraçados igual a capa do disco Dylan. Por isso que ela é a minha garota.
E para completar, hoje escapei rumo a leste pra mergulhar ao seu lado em um sofá velho e largado na sala de uma casa qualquer. E eu odeio meu celular, precisava falar com ela, e a porcaria dava um erro de conexão que eu nunca tinha visto. Me peguei em um orelhão em plena Radial Leste dando um jeito de falar com ela.
São essas coisinhas. Foda, vão preenchendo o tempo curto. E vão encantando. Eu hoje não tenho tempo de escrever tudo que queria. Mas tenho vivido muito do que queria ter escrito. Sinceramente não sei. Agora, tenho me preocupado no máximo em como vai ser amanhã, em como vou dar um jeitinho de mostrar o quanto eu sou apaixonado pela minha garota, e em como dar um jeito para os sonhos continuarem a se aproximar.
segunda-feira, março 30, 2009
Eu nem me toquei do gosto de sangue na boca. Acho que nem percebi a quantidade de jazz obscuros que cantarolei durante a caminha de volta pra casa. Parei num boteco e pedi uma dose de whisky, dizia ser Red Label mas tinha gosto do velho oito vagabundo. Eu então comecei a sacar qual é que é dessa porra de solidão. Total estado de abstinência. Era algo como estar de trás de um desses possantes dos anos sessenta dirigindo a mil numa Highway acidentada através do deserto. As vezes temos que encarar a fronteira, e mesmo morrendo de medo atravessar. Sinto como se todas as armas estivesse apontadas para a minha carcaça. Gestos de adeus, foda, tudo que vem vai. Não aconteceu nada, na verdade foi uma pequena besteira. Minha garota não se sentiu bem, dor no peito, e isso me assustou pra cacete. Me vi sozinho, egoísta? Não, pois me assustou pra caralho ver ela sozinha sabe-se lá aonde. Não aconteceu porra nenhuma, e nem vai acontecer, mas tudo isso me botou um baque do cacete. Acho que foi dessas coisas que chegam antes da hora, sem avisar, arrombando porta adentro e mandando tudo a merda. Eu só consegui parar quando percebi que tava sem espelho retrovisor. Percebi que é foda, é foda e não tem volta, to com ela e não vai acontecer nada. Absolutamente nada. Eu tava precisando de vida, e vida é sentimento. Caralho, me sinto vivo e isso me assusta. Eu, pelo menos, tenho o deserto todo pela frente.
domingo, março 29, 2009
Merda, uma puta ressaca do caralho. Quero lembrar de tudo, saber de tudo, mas na verdade to totalmente por for a do que foram as últimas semanas. Uma puta sensação boa no corpo. Mas na verdade tá tudo indo rápido demais. Se eu pular do carro agora, quebro a cara no asfalto. Novo emprego, novas responsabilidades. Estou a mil por hora. Uma correria que me deixa meio tonto. Não sei se estou centrado. Mas sei que tudo que quero tá mais perto. Eu e a raposa vamos noivar. Em breve, vamos ter nosso canto, eu ainda quero um porta chapéu pra pendurar na porta da frente.
Eu fiquei olhando pra ela outro dia, parada numa esquina me esperando. Tão pequenininha, vários homens passam e olham. O jeitinho dela, é fantástico, tenho muita sorte de ser o homem dela. Essa correria, essa vida a mil, não vai me deixar perder o foco que é a raposa, nós vamos ser felizes pra cacete.
segunda-feira, março 23, 2009
sexta-feira, março 13, 2009
Quem Quer Ser Milionário? - Danny Boyle
Quem Quer Ser Milionário? - Slumdog Millionaire
Direção - Danny Boyle (Trainspotting, Cova Rasa, Alerta Solar e Extermínio)
Ou você compra a viagem do filme, ou sai frustrado. Eu comprei. A montagem do filme é muito boa, apesar de nada revolucionária. Prende bastante a maneira que a história é contada. Tem quem ache o filme raso demais. Eu achei na medida. Tem quem ache o final brega e vazio demais. Eu curti. Agora, a parte da fotografia e o forte apelo visual do filme são realmente de primeira. A história é simples: garoto pobre, que trabalha servindo chá numa imensa operadora de call center, consegue chegar e participar de um programa de TV que lhe dá a chance de ser milionário, quando na verdade, tudo que ele quer é finalmente ficar com o seu amor. História simples, bem dirigida. Recomendo.
quinta-feira, março 12, 2009
E assim começou o cara...
Tinha acabado de arrumar meu primeiro emprego. A grana tava começando a entrar, pude sair da periferia. Morava numa kitchnet na República. Junto com as putas. O cubículo mal dava espaço pra cama e fogão. Muitas vezes o bife queimava, o cano da máquina estourava e inundava a casa, e a maioria das vezes de madrugada. Pela janela via os malandros da noite, cheios de ginga, catavam as mulatas no boteco com jeito. E eu naquele buraco, roupa suja, lixo, um amontoado de desordem escondendo minha cama. Eu tinha uma vitrola velha, tocava algum clássico dos negros, curtia o som na minha, acendia um cigarro atrás do outro até esfriar a cabeça. Até desencanar daquele apê de merda e cair no sono no meio da sujeira mesmo.
Na porta da frente moravam três putas. Uma negra escultural que na verdade cheirava formol, passava o dia alisando a juba. Uma ruiva gordinha e uma albina magrela. Passavam o dia todo fumando maconha e vez ou outra vinham contar dos fregueses pra mim.
Eram três piranhas, porém eram piranhas de respeito e só vendiam o corpo em troca de grana boa. Viviam ali por opção, aposto que podiam descolar algum lugar na Angelica ou mesmo em Pinheiros. Mas curtiam viver ali na boca. Tinham droga, tinham toda a paz do mundo pra foder com permissão de deus e o diabo.
Foi numa noite, depois de muito trampo. Tava numa época fodida, fumava mais do que o normal, e as perspectivas não eram animadoras. Na porta estava a ruiva gordinha. Abri a porta do jeito que tava e convidei a moça pra entrar. Disse sem rodeios que precisava de um favor meu. Trazia consigo uma bela garrafa de pinga artesanal. Foi logo servindo generosas doses e chorando seus problemas no meu colo. Se aquela puta trabalhasse com a devoção que me pedia aquela favor, descolava até o papa como presidente. Era sexta e eu tava pensando em jogar um bilhar, mas fui deixando a puta desaguar suas mágoas. Era bom, bebia pinga da boa, ouvia a puta falar de sua situação humilhante e quem sabe descolava uma transa. Ela usava um top justíssimo, estava bêbada, parecia amistosa comigo. Perfeito. Me servia pinga. Que mais eu podia querer? Ela tinha se chapado rápido e tava bem liberada. Balbuciava besteiras, falava que queria ser como a Bettie Page, e que seria estrela de cinema. E eu roçava meu quadril contra suas coxas. Eu sentia uma vontade danada de lambê-la inteira. Tinha uma cor de mel, mas a safada queria chorar.
Me atraquei com ela meio a força. Resistência e finalmente ela liberou geral. Me beijava por todos os cantos do corpo. Sua boca tinha gosto de pinga. Eu era um moleque saído da Cidade Tiradentes, eu nunca tinha me atracado com uma ruiva daquelas. Sei que meti feito louco. Sem proteção nem nada. Esporrei os dezoito anos de punheta acumulada naquela vagabunda. Depois, eu voltei pra pinga, ela num canto, eu no outro. Ela era uma puta chorona, tinha voltado aos lamentos, gaguejava. Aquilo me broxou um pouco. Aquele cheiro doído mesmo após a transa fodidamente boa. Eu tava bêbado, matei a pinga numa tacada só. Lembrei o que um camarada do bar disse. Puta é puta, namorada é namorada. Gelei, e quis prestar atenção no que a ruiva murmurava em seu canto. A vagabunda tinha gonorreia, e agora o idiota aqui também. O cara tinha razão. Puta é puta.
