Todo dia eu acordo e vou para o trabalho logo cedo. Paro o carro na esquina da avenida principal da região, com gosto de laranja na boca. Lá vejo uma banca de jornal e o seu trio mais gostoso de se observar. 8 da manhã e tudo sempre igual. A senhora já com seus 50 anos, é muito vaidosa, sempre bem maquiada logo de manhã. Um misto de vaidade de mal gosto, mas simpático. Parece aquelas tias que todos temos, que aparecem as vezes em alguns aniversários, e sempre estão de bom humor, como se fosse o último dia da vida delas. Essa senhora, gosto de imaginar que o nome dela é Rosangela, ela é a dona da banca. O segundo personagem é o seu marido. Seu Toninho, moreno, forte, bigode, careca, disposição de um bêbado e caminhar de um malandro. Conquistou a coroa, e vive com ela a um bom tempo, só na tranquilidade, porém faz pouco tempo Dona Rosangela botou ele para trabalhar na banca com ela, cansou de sustentar o camarada.
Por essas e outras todos os dias de manhã, Toninho está de tamanho mal humor, um humor quase londrino. Mas o que realmente enfurece Toninho é o dono da escola de Kung Fu que tem em frente a banca. O Senhor Lie, como todo bom chines, é baixinho, semi careca, sempre de muito bom humor. Passa horas conversando com a Dona Rosa antes de começar o dar aulas. Os dois dão muitas risadas, coisa que provavelmente o casal não faz a séculos.
Uma angústia descontrolada toma cada dia mais Toninho, ele procura por todos os dias evitar que use a pá para redimir seus pensamentos. Afinal, nunca se esforçou mas ele conseguiu muitas coisas. A troca de olhar dos três é intensa, digna de um belo farotes dirigido por Sergio Leone.
Infelizmente a história sempre para por ai, pois o semáforo sempre abre antes de alguma solução mais drástica. Esses são meus cinco minutos parado de manhã na esquina da avenida principal do bairro.
terça-feira, junho 05, 2007
Imaginação é tudo.
segunda-feira, junho 04, 2007
Patti Smith - Precisa mais?
Demais! Não vou comentar muito. A apresentação fala por si.
Garcia Lorca
Ontem consegui assistir a ultima apresentação da peça Lorca que estava em cartaz no Tusp. Maravilhoso, além de ser um fã de carterinha do Lorca, a peça estava extremamente bem montada, com atores que demonstravam paixão pelas belas palavras do espanhol. Se voltar a cartaz vale a pena ser conferida.
Agora uma poesia do mestre:
Se as minhas mãos pudessem desfolhar
Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.
Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.
Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranqüila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!!
domingo, junho 03, 2007
sexta-feira, junho 01, 2007
Smiths + Champagne + Calmantes
Acho que é uma das combinações mais mortais que existem. Tentem ouvir Reel Around the Fountain, tomando um copo de champagne mais algum calmante fraco. Receita:
Smiths - Reel Around The Fountain - 3 Doses.
Champagne - De qualidade - 1 taça cheia.
Calmante - Nada muito forte - 1 comprimido.
Efeito - Assistir o mundo como ele é.
Efeito colateral - O calmante + alcool, talvez não faça muito bem.
Quem se importa?
quarta-feira, maio 30, 2007
16˚17'9'' S - 29˚0'2'' E
as vezes eu acho que o mundo vai acabar amanhã mesmo. acho que devia construir um abrigo anti-bobas e me enfiar lá dentro, com suprimento para pelo menos um ano. mas daí vem o dilema, se eu pudesse levar apenas uma pessoa, levaria quem?
talvez o mundo já tenha até acabado. e agente nem sabe. esqueceram de nos avisar e agente continua vivendo, achando que estamos vivos. quando na verdade deixamos de viver a muito tempo atrás.
se considerarmos que o mundo já pode ter acabado, então não precisamos levar ninguém para o nosso abrigo anti-fim-do-mundo, afinal, já acabou.
caso o mundo já tenha acabado, ou não, fiz uma lista das coisas que considero essências para qualquer pessoa que queira dizer que teve uma experiência neste planetinha:
tomar um porre, ficar parado por cinco minutos, cutir uma melancolia profunda, gozar momentos de imensa felicidade, chorar um amor, curtir um amor, respirar, ser, visitar um lugar místico, um lugar mítico e um grande shopping center, trabalhar em wall street e em um centro de voluntários na Africa, se apaixonar como os jovens se apaixonam, pular de para quedas, ler o Apanhador no Campo de Centeio, dançar em um pé só no meio de um lugar isolado, atravessar um país de carro, gastar mais tempo consigo mesmo, fazer arte, ver arte, viver arte e esquecer todas essas coisas em buscas de mais coisas.
terça-feira, maio 29, 2007
#38
fugir, fugir, fugir, nunca tiveram vontade de fugir?
por que olha, se tem uma coisa que eu odeio, é rotina, é estar preso a um amanhã não muito diferente do hoje. Por exemplo, veja a Senhora Miranda, todos os dias levanta no mesmo horário, para fazer o mesmo café da manhã, para a mesma família, na mesma casa, na mesma cidade. Isso é sufocante, porque não acordar simplesmente em um lugar diferente cada dia? Digo, acordei, abri os olhos, hoje estou no Paraguai, uma cidade pequena, vou procurar algo para comer e depois acho que vou para o Chile. Fala sério, não seria maravilhoso?
as vezes as mais pesadas rotinas, simplesmente nos prendem de forma tão sutil, bastante manhosa, você não chega a perceber quando ela dá o aperto final e te prende por completo.
fugir
porém existem tantas coisas boas que o fugir pode roubar da gente.
fugi
não sei se teria coragem de deixar para trás tantas e tantas coisas que tenho aqui, e coisas que estou descobrindo agora
fug
é as vezes as melhores idéias, duram poucos segundos, e logo viram uma nuvem de fumaça, que com a mais leve brisa se dispersa.
fu
não que eu queira ser como a Senhora Miranda, mas apenas acho que posso quebrar minha rotina e ser muito feliz, aqui, sem fugir.
f
acho que sou um covarde.
segunda-feira, maio 28, 2007
100101
ontem
eu matei um homem.
com a mais sútil e fria das armas. uma punhalada nas costas atravessando-o até o pulmão. deixei-o sufocar-se na própria essência da vida.
mas ele não vai ser enterrado, cremado ou qualquer que seja a pífia cerimonia de passagem que escolham para ele. isso só ocorrerá daqui a muitos anos. quando a ignorância dele baixar.
porque? me sinto um incêndio, que indeliberadamente consome a tudo. não vou apagar de uma vez, vou queimar aos poucos.
todo domingo é a mesma coisa, mato o homem que nasceu na segunda-feira só para ver o dia raiar novamente.
e não derramo uma sequer lágrima em luto a este fadado recém-nascido que lhes escreve.
segunda-feira, abril 23, 2007
Teatro de Primeira. Ponto Zero
Ponto Zero
Direção: Marcelo Lazzaratto
Dramaturgia: Gabriel Miziara e Marcelo Lazzaratto, inspirados nas obras O Apanhador no Campo de Centeio, de Salinger, On the Road, de Jack Kerouac, Abaixo de Zero, de Bret Easton Elis, Hell de Lolita Pille, Doze de Nick McDonell, Tigre de Papel, de Olivier Rolin; filmes como A Chinesa, de Godard e Marcas do Destino de Peter Bogdanovich Elenco: Ademir Emboava Carolina Fabri, Gabriel Miziara, Heloisa Cintra, Juliana Pinho, Marina Vieira, Pedro Haddad, Tathiana de Abreu e
Thiago Fidanza.
Luz: Marcelo Lazzaratto
Cenário e Figurino: Silvana Marcondes
Fotos: João Caldas
Produção: Pedro Haddad
Produção executica: Carolina Fabri
Realização: Cia Elevador de Teatro Panorâmico e Lei Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo.
De 10 de março a 27 de maio de 2007
Sábados às 21hs e domingos às 20hs
Gênero: Drama
Duração: 120 min
Lotação: 74 lugares
Classificação etária: adulto
Preço: R$ 15,00
sábado, fevereiro 10, 2007
terça-feira, fevereiro 06, 2007
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
#32 - A Secretária

A SECRETÁRIA (2002) é o primeiro filme escrito por Erin Cressida Wilson e isso o torna mais curioso, pois é uma estréia bastante ultrajante até para os padrões do cinema atual. Quando acabei de ver o filme corri para saber do diretor, roteirista e elenco; foi uma surpresa e tanto ver que se tratando de diretor e roteirista eram bastante novos e não tinha muitos filmes nas costas, no caso do roteiro, era um roteiro de estréia.
A atuação de Maggie Gyllenhaal já vale o filme, além de uma atriz linda que já havia participado de Donnie Darko, Adaptação e o Sorriso de Mona Lisa, ela faz um papel extremamente complexo e consegue atingir vários níveis de profundidade com sua personagem bastante complexa.
Visto de uma maneira mais singela o filme é uma história de amor, onde a personagem de Maggie se interessa por seu chefe, vivido por James Spader (lembro dele em um papel em Stargate, o primeiro filme). O filme claro oferece muito mais do que uma relação entre secretária e patrão, ele se aprofunda na cabeça conturbada da jovem vivida por Maggie.
Gostaria de propor algo diferente aos que não viram o filme: se reservem de maiores comentários ou resenhas do filme e assistam. O fato de conhecer o tema principal antes do filme me estragou um pouco o que teria sido o impacto da situação central.
Nota: 7,5/10
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
#30 - Texto.
Douglas Kim, foi meu professor de inglês 10 anos atrás, achei ele por acaso nos blogs da vida, o link está ao lado, e não é que o cara arrasou em ótimo texto aqui citado?
Da próxima vez, avise os peixes
Não o sinto como um fardo que seja obrigado a carregar, assemelha-se mais a retornar à própria casa, encontrar uma mulher, dormir com ela. O suicídio é a mulher que dorme ao seu lado. Certa vez, um desgraçado que conhecia me viu sorrindo com um copo na mão em um bar. Ele sabia dessa mulher e não perdeu tempo “Está feliz?” “Isso não importa, está sempre por aí.”, respondi. Nunca deixo de pensar nela. Recentemente, resolveu mudar de vez e se instalar aqui. Não mudou a rotina, de modo algum, estava acostumado com a sua presença. Porém, igual a um casamento, a convivência às vezes fica insuportável, como nesses últimos tempos, o que me levou a pensar em separação. “Você sabe que só há uma maneira de nos separarmos.”, ela disse. O que possuo e desejo tem se reduzido ao mínimo. Isso inclui o que tenho a dizer. Saio de casa para não ficarmos a sós, mas sempre a encontro. Basta entrar em um bar, ela estará sentada no balcão; no supermercado, postada no caixa ao lado. Outro dia nos encontramos no correio “Enviei um cartão de aniversário para você, espero que receba.” Devemos sempre ser gentis com quem se preocupa conosco. No último domingo, estava me preparando para uma pescaria e ela perguntou “Você acha que os peixes estarão lá?” “Por que não estariam?” “Se eles não souberem que devem ser pescados, não estarão lá.” Naquele dia voltei com as mãos vazias. Ao chegar em casa, ela baixou o livro que estava lendo e disse “Eu falei com os peixes, eles não sabiam, eu não lhe disse?” Larguei a vara ao lado da pia, tirei as botas e deitei na cama. Ela me abraçou e sussurrou “Da próxima vez, avise os peixes.”


